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Erudita

Três vezes Rodolfo Richter

O violinista curitibano se apresenta hoje na série Solo Música, e, quarta, na Capela Santa Maria com seu quarteto de cordas

A formação do violinista Rodolfo Richter passa não só pela música barroca, mas também pela contemporânea | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
A formação do violinista Rodolfo Richter passa não só pela música barroca, mas também pela contemporânea (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)
Rodolfo Richter (à esq.) ensaiando na Capela Santa Maria com o quarteto britânico Palladians |

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Rodolfo Richter (à esq.) ensaiando na Capela Santa Maria com o quarteto britânico Palladians

O virtuoso violinista curitibano Rodolfo Richter, radicado na Inglaterra, volta a sua cidade natal para uma semana importante para a música erudita. Hoje, às 20h30, o músico é a atração da série Solo Música, do Teatro da Caixa, com o recital Conversas entre Um Passado Distante e Recente. Na quarta e na quinta-feira, Richter se apresenta com seu quarteto de cordas, o grupo britânico Palladians, na Capela Santa Maria, a partir das 20 horas, com os temas Música Barroca Inglesa e Alemã e Música Barroca Italiana e Francesa, respectivamente.

Com realização do produtor musical Álvaro Collaço, as apresentações incluem, ao todo, três repertórios distintos. "Já conhecia o trabalho do Rodolfo antes, sei que a formação dele passa por uma formação em música barroca, mas também por música contemporânea – um tipo de formação mais comum do que as pessoas imaginam. Por causa disso, pensamos num repertório para a série Solo Música que fosse um pouco diferente do recital com o Palladians. Resolvemos, então, fazer um elo entre o barroco e o contemporâneo", conta Collaço.

É nessa ligação que compositores aparentemente tão díspares entre si, como o alemão Georg Telemann (1681–1735) e o americano Eliott Carter (1908), ou o austríaco Henrich Biber (1644–1704) e o também americano John Cage (1912–1992) se encontram. Collaço explica como acontece essa aproximação: "A música barroca, assim como a contemporânea, traz uma certa liberdade em sua execução que a música romântica e a moderna não permitem. Essas prezam para que a técnica do instrumentista seja muito restrita ao que está escrito na partitura, não há espaço para muita interpretação. Por isso, é comum que o profissional formado em música barroca tenha uma relação forte com a contemporânea também".

Por realizar três recitais seguidos com repertórios diferentes, Richter não quis dar entrevista. "Ele está muito compenetrado no trabalho", conta Collaço.

O barroco no mundo

Depois de sua apresentação solo, Rodolfo Richter continua explorando a música barroca, mas, dessa vez, sobe ao palco com o quarteto Palladians. Formado em 1991 por alunos da Guildhall School of Music and Drama, de Londres, o grupo é atualmente composto por Wilhiam Carter no alaúde e guitarra barrocos, David Wish no violino e Juan Quintana na viola de gamba, além do próprio Richter.

A diferenciação dos recitais, que dividem música inglesa e alemã num dia e italiana e francesa no outro, passa, segundo o idealizador, por uma questão de espírito. "A música da França e da Itália daquela época está muito vinculada à monarquia desses países. A Inglaterra também tem reis e rainhas, mas o barroco está ligado também à esfera comercial, em decorrência da enorme quantidade de montagens de peças que os teatros ingleses realizavam. Por fim, as composições alemãs estavam estritamente a serviço da igreja luterana. São, portanto, formas bem diferentes de fazer e de sentir a música".

Para Collaço, trazer para Curitiba um músico com a formação de Rodolfo Richter – que possui uma carreira bem estabelecida internacionalmente e estudou música com alguns dos mais importantes professores brasileiros e ingleses, como Padre Penalva e Pierre Boulez, entre outros – reafirma a qualidade dos profissionais curitibanos. "O Rodolfo é um exemplo do potencial que Curitiba tem para formar músicos de projeção internacional."

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