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Especial

Trinca Pop chega aos 50

Madonna, Michael Jackson e Prince, ícones da música, completam meio século de existência

Madonna, em plena forma, estará no Brasil em dezembro | Michael Gottschalk
Madonna, em plena forma, estará no Brasil em dezembro (Foto: Michael Gottschalk)
Michael Jackson: espectro do astro que um dia foi |

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Michael Jackson: espectro do astro que um dia foi

Prince não para de surpreender: distribui CD de graça |

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Prince não para de surpreender: distribui CD de graça

Os anos 1980 marcaram o início de uma nova era na história da música pop. Com o surgimento nos Estados Unidos da MTV (1981), canal especializado em clipes, a imagem, que sempre fora fator importante mas não essencial para qualquer artista, tornou-se imprescindível, determinante. Foi neste contexto que surgiram – ou se consolidaram – três dos maiores ícones dessa geração: Michael Jackson, Madonna e Prince. Artistas talentosos e controversos, eles usaram e abusaram não apenas de seus dotes musicais, mas de atributos que hoje imperam no universo pop: corpo, estilo e celebridade. Viveram, diante dos olhos do grande público, triunfos e fracassos, casamentos, filhos e divórcios, escândalos, perdas e danos. Coincidentemente, todos os três completam 50 anos em 2008, suscitando reflexões sobre suas trajetórias, erros e acertos.

Obra-prima de si mesma

Não é preciso quebrar a cabeça para responder: qual dos três – Madonna, Michael Jackson ou Prince – soube administrar melhor a fama? É claro que foi Madonna. Agora, se a pergunta for quem tem o maior talento musical, talvez a material girl fique em certa desvantagem.

Cantora mediana, mas esforçada, boa dançarina e compositora antenada com o gosto do grande público, Madonna não é um gênio. Sempre soube, contudo, transitar com desenvoltura entre gêneros como a dance music, a black music e o pop romântico. Sua maior obra – esta sim de mestre – é ela mesma. Isso é indiscutível.

Com shows marcados no Rio de Janeiro e em São Paulo para o próximo mês de dezembro, quase todos com ingressos esgotados, a jovem filha de uma família ítalo-americana do meio-oeste dos EUA nunca deixou de fazer sucesso. Teve seus altos – os álbuns Like a Prayer e Ray of Light – e seus baixos – quase todas as incursões no cinema e o CD American Life, interessante mas rejeitado pelo mercado. Em momento algum, todavia, a cantora chegou perto de ser esquecida, embora seus detratores hoje em dia afirmem que já "não tem relevância para a contemporaneidade". Apenas segue tendências, não as estabelece mais.

Seu último álbum, Hard Candy, não é um estrondoso sucesso, mas está vendendo bem. Emplacou o hit "4 Minutes", um dueto com o bem mais jovem Justin Timberlake, produzido pelo midas pop Timbaland. E a turnê Sweet and Sticky, que traz a popstar de volta ao Brasil, está lotando estádios e arenas por onde passa. Recauchutada por uma plástica facial de proporções nada sutis, Madonna chega aos 50 anos com corpinho de 20, mantido a custa de muita ioga, pilates e dietas. E nem um pouco disposta a pendurar as chuteiras.

De superstar a superfreak

Astro-mirim, garoto prodígio, Rei do Pop. Michael Jackson foi tudo isso. E muito mais. Vítima da mesma máquina que lhe deu a fama já na infância, quando assombrou o mundo ao lado dos irmãos, como vocalista dos Jackson 5, o cantor é hoje uma espécie de espectro de si mesmo. Mas não há como negar-lhe a majestade.

A carreira-solo e adulta de Michael causou seu primeiro sismo com o excepcional álbum Off the Wall (1979), produzido por Quincy Jones e responsável por hits como "Don’t Stop ‘til You Get Enough", "Rock with You" e "She’s Out of My Life". Mas foi Thriller (1982), o disco mais vendido da história (calcula-se algo em torno de 100 milhões de cópias no mundo) que o levou ao topo absoluto da música pop. Quase todas as faixas – entre elas clássicos como "Billy Jean" e "Beat It" – foram hits. O sucesso foi tanto que, embora os trabalhos seguintes tenham sido bem-sucedidos, nunca devolveram o cantor à normalidade.

Acusado de abuso sexual de garotos menores de 18 anos, Jackson foi aos poucos se transformando de superstar em superfreak: as sucessivas cirurgias plásticas desfiguraram-lhe o rosto, sempre coberto por espessas camada de maquiagem, para esconder as manchas causadas por vitiligo, doença de pele que o teria"embranquecido".

O fato é que, embora muito talentoso, tanto como cantor quanto como compositor, Jackson vive hoje da esperança de um retorno. Há rumores de que vai lançar um disco no próximo ano, com produção de pesos pesados como will.i.am (do grupo Black Eyed Peas) e Kanye West, mas, por enquanto, nada foi confirmado.

Inquieto e em permanente mudança

Talvez o mais talentoso da trinca, Prince é um dos artistas que melhor soube fundir elementos da música negra – como soul, funk, r&b e até jazz – a sonoridades do rock. Tem no currículo álbuns irretocáveis, como 1999 (1982) e Sign O’ the Times (1987), mas foi a trilha sonora de Purple Rain (1984), vencedora do Oscar, mais de 13 milhões de cópias vendidas apenas nos EUA, que o transformou em grande astro. O disco contém sucessos como a faixa-título, "When Doves Cry" e "Let’s Go Crazy". Outro ponto alto foi a trilha de canções que escreveu para Batman – O Filme (1989), de Tim Burton.

Extremamente inquieto, Prince nunca se conformou em ser moldado pelo mercado ou esteve disposto a fazer concessões para manter sua popularidade. Pelo contrário. Em 1993, o músico teve um rasgo de excentricidade e renegou o próprio nome, assumindo como identidade um símbolo. Virou motivo de piada, tanto que a mudança, interpretada como uma tentativa patética de se reinventar, durou pouco.

Depois de anos sem ganhar grande atenção do público, fez um retorno triunfante com o álbum Musicology (2003), que atingiu o topo das paradas em vários países, inclusive nos EUA, e lhe deu dois Grammy. Em 2007, voltou a supreender ao distribuir, de graça, encartado no jornal britânico The Mail on Sunday, seu mais recente CD, Planet Earth, numa jogada que chocou o mercado fonográfico.

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