
A pintura de 13 metros de altura na parede lateral da Casa Hoffman, mesmo que inacabada, chamava a atenção de quem passava apressado pelo Largo da Ordem na tarde da última segunda-feira. Todos paravam, mesmo que por um segundo, para apreciar a enorme mistura de cores e formas feita pelo artista curitibano Rimon Guimarães, um dos nomes mais conhecidos da street art brasileira. O painel é uma das obras que integram a 6.ª Vento Sul Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba, que começa no próximo dia 17 de setembro.
Com a roupa preta manchada de muita tinta, o artista de 23 anos e de poucas palavras é o mais jovem a expor nesta Bienal. Segundo ele, a obra concluída será uma figura feminina, formato que vem pesquisando no momento. "No começo eu pintava mais formas masculinas, seguindo uma tendência de refletir o próprio corpo."
Guimarães se inspirou também em uma de suas obras em tela, Bekokolare, que significa "a grandeza não é o que se vê com os olhos", em um dialeto africano. "É isso que pretendo mostrar no painel. Não o grandioso que impressiona, mas a essência." O artista não tem ideia de quantas cores usou. "Vou misturando umas a outras e nem conto. Estou numa fase bem colorida. No começo do meu trabalho, não usava tantos tons." Ele, aliás, começou cedo: expôs pela primeira vez aos 16 anos, em Maringá. Fez sua primeira individual um ano depois, no bar Era Só o que Faltava e participou de uma coletiva no Museu Oscar Niemeyer (MON), em 2010.
No exterior, integrou uma mostra na Bélgica no ano passado. Ainda neste mês, vai para Amsterdã a convite de uma ONG que selecionou dez artistas brasileiros para pintarem grandes murais por toda a cidade. Também assinou um modelo de tênis para a Nike e concorre ao prêmio de melhor capa no Video Music Brasil (VMB) da MTV neste ano, pela ilustração no disco Tropical Splash, da banda Copacabana Club.
Formação
Rimon Guimarães é autodidata e desenha "desde sempre". Um pouco mais crescido, pegou gosto por pintar nas ruas. Quando terminou o ensino médio, resolveu fazer o curso de Pintura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap). Ficou na faculdade um ano e trocou o curso pelo de Gravura, onde ficou também por um ano e desistiu. "Queria seguir com o meu trabalho autoral e as atividades me atrapalhavam." Ele crê que nas artes visuais e também na música é difícil uma universidade conseguir formar um talento. "Claro que a faculdade tem um lado positivo, mas essas áreas são de criação, e não de padronização." Como espaço para criar, quer continuar na rua. "Tem mais poder. Quem passa e vê, dificilmente fica sem um ponto de interrogação na cabeça."



