
A imagem do alaúde é familiar. É comum a presença do instrumento, semelhante a um violão em forma de pera cortada ao meio, em várias pinturas renascentistas. A razão disso é que ele foi o "rei" da música dessa época, de acordo com o norte-americano Hopkinson Smith (confira o serviço completo so show) desde os anos 1980 um estudioso e solista deste e de outros instrumentos antigos de cordas dedilhadas, como a guitarra barroca, a tiorba e a vihuela. Uma oportunidade para conhecer o som e o repertório do instrumento acontece hoje, às 20h30, no recital Alaúde Renascentista, apresentado por Smith no Teatro da Caixa.
"É uma música que deve tocar diretamente no coração do ouvinte de hoje. O som é muito particular, alcança uma parte da alma que nenhum outro instrumento toca", diz Smith, que descreve a sonoridade, como "íntima", "sensível", "delicada" e "mística". O músico diz ter selecionado um repertório significativo da Renascença na Itália e na Inglaterra dois países que, de acordo com ele, contribuíram muito para a história da música e do alaúde. "É um repertório de beleza e profundidade, além de grande importância histórica", diz. "É uma parte de nossa cultura e do patrimônio ocidental que deve ser conhecida."
Repertório
Serão apresentadas danças e fantasias dos italianos Giovanni Girolamo Kapsberger (1580-1651) e Francesco da Milano (1497-1543/44) e dos ingleses John Dowland (1563-1626) e Anthony Holborne (1545-1602). "O aspecto técnico do instrumento estava muito desenvolvido. Os quatro compositores foram virtuosos de primeira linha", diz. "É impressionante o nível técnico que exige esse tipo de música", diz Smith, que já gravou 27 discos solo muitos deles premiados.
Sons antigos
Além da técnica, da leitura das partituras originais e de pesquisas históricas sobre as obras, Smith conta que conhecer detalhes da vida e da personalidade dos compositores faz parte de uma interpretação fiel de um repertório tão antigo. De acordo com o músico, Francesco da Milano era um grande improvisador de músicas de dança que não quis deixar para a posteridade. Essas informações são levadas em consideração na execução de suas obras. "Quando se sabe que Milano tinha uma certa presença e magnetismo pessoal, você busca uma expressão que possa representar um paralelo a isso", diz Smith, que é formado em Musicologia na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e, atualmente, vive em Basileia, na Suíça, onde é professor.
"Dowland foi uma personalidade muito inquieta e teve uma vida bem difícil. Isso se espelha nas obras dele. Há uma melancolia muito presente e muito característica", conta o músico. "Todas essas coisas ajudam para formar a visão do compositor. Elas não são essenciais para apreciar a música, mas são aspectos complementares que enriquecem as experiências", diz Smith. "Mas reação mais importante, sobretudo, é a intuitiva."
Serviço:
Alaúde Renascentista, de Hopkinson Smith. Teatro da Caixa (R. Cons. Laurindo, 280), (41) 2118-5111. Hoje, às 20h30. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada). A bilheteria do Teatro abre a partir das 12 horas.



