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Música

Um olhar sobre o rock brasileiro dos anos 90

Em Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar, o jornalista e escritor Ricardo Alexandre analisa o período a partir de suas memórias

Os Raimundos: foi um dos principais marcos do rock da época | Moacyr Lopes Júnior/Folhapress
Os Raimundos: foi um dos principais marcos do rock da época (Foto: Moacyr Lopes Júnior/Folhapress)
Livro: Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar. Ricardo Alexandre. Arquipélago, 256 págs., R$ 34,90. Música. |

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Livro: Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar. Ricardo Alexandre. Arquipélago, 256 págs., R$ 34,90. Música.

Foi justamente na época em que despontavam nomes como Skank e Raimundos que o jornalista e escritor Ricardo Alexandre começava a escrever sobre música. Primeiro, no Jornal de Jundiaí (SP), sua cidade natal, e depois em veículos como o Estado de S. Paulo e a cultuada revista Bizz. O então repórter assistiria de perto o que descreve como uma época "criativa e destemida" para o rock brasileiro. Mas também testemunharia uma destruidora ascensão e queda da indústria fonográfica, que levaria consigo esse mesmo cenário que ele viu florescer.

Esses são os contornos de Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar, terceiro livro de Ricardo Alexandre – autor de Dias de Luta: O Rock e o Brasil dos Anos 80 (2002) e Nem Vem Que Não Tem: A Vida e o Veneno de Wilson Simonal (vencedor do prêmio Jabuti de 2010 como a melhor biografia do ano).

O autor faz um retrato do agitado cenário roqueira dos anos 1990 – seu sistema composto por festivais, fitas demo, mídia alternativa, rádios e a MTV; seus personagens e suas relações com o mercado. Em capítulos curtos, passa pelo mangue beat e as cenas carioca, gaúcha e curitibana, que revelou na época grupos como Boi Mamão, Woyzeck e Resist Control (a banda que estava no palco que quebrou no festival Juntatribo 2, de Campinas, em 1994) – alguns dos nomes que foram vítimas do sufocamento do mercado pelo marketing das gravadoras.

Ricardo, que chegou a dirigir a revista Bizz do período entre 2004 e 2007, conta tudo de um ponto de vista pessoal e reflexivo sobre sua atuação como jornalista e crítico musical. A abordagem é despretensiosa: os capítulos foram originalmente publicados como post no blog musica.br.msn.com/blog ao longo do ano passado. Mas o produto final é nutrido por histórias de bastidores e insights valiosos.

Um deles é a teoria que explica por que o rock brasileiro não emplaca hits desde "Anna Julia" (Los Hermanos) e "Mulher de Fases" (Raimundos): os artistas estão se conformando com a posição de microcelebridades possibilitada pela internet; carecem de oportunidades com a diminuição da indústria fonográfica; não têm mais intermediários na criação que limitavam a criação "umbigocêntrica" e "autorreferente" no passado; e são de uma geração que simplesmente não está interessada na árdua "carpintaria" que a comunicação com um público mais amplo exige.

"O que a gente vê hoje é um desestímulo muito grande à musica pop de autor", conta Ricardo Alexandre, em entrevista por telefone para a Gazeta do Povo. "Ou você tem um tipo de música totalmente alheia ao mercado, ou totalmente escrava dele", analisa.

No entanto, assim como no livro – apesar de seu título sugerir um cenário trágico –, o autor não adota um tom alarmista. "Não há contingência de mercado capaz de reter uma boa ideia", diz.

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