
A edição do autor livro financiado pelo próprio escritor, impresso em pequenas gráficas sempre foi um atalho para ter os exemplares nas mãos sem a aprovação das grandes casas editoriais, cada vez mais retraídas em relação a novos autores, segundo a opinião dos próprios. A alternativa é atraente em decorrência da evolução das técnicas de impressão, que reduzem o custo unitário de uma tiragem baixa a um valor competitivo com o livro impresso em larga escala, além da facilidade de autodivulgação possibilitada pela internet, que garante boa parte das vendagens. Zeca Martins, fundador da Livro Novo, empresa paulista do ramo, está no mercado de autopublicação há tempos. Ele foi também um dos sócios-fundadores da Editora Baraúna, uma das primeiras do ramo na era da impressão digital. "A procura por esse tipo de serviço cresceu muito. Quando eu comecei a Baraúna, em 2007, tinham apenas três ou quatro casas com esse serviço. Hoje tem umas 30. O escritor quer publicar de qualquer jeito, mas as casas editoriais estão abarrotadas de livros. O mercado, então, se ajeita para suprir essa demanda", conta Martins, que afirma receber, em média, seis originais por dia útil e publicar cerca de 20 livros ao mês.
Existem vários tipos de contratos que podem ser feitos com editoras especializadas em autopublicação e cabe ao autor encontrar o melhor negócio para sua obra. Tanto na empresa de Martins como em muitas outras, mesmo o livro financiado pelo próprio autor passa por uma avaliação editorial, que determina o tipo de proposta oferecida. "Se o livro não for do nosso interesse, oferecemos uma proposta de edição do autor, em que fazemos a preparação editorial e a venda fica toda por conta do escritor." Nesse caso, Martins explica, uma tiragem de mil exemplares de um livro com 250 páginas sai em torno de R$ 15 mil para o cliente.
"Caso contrário, ele leva nossa marca, é catalogado com o ISBN [International Standard Book Number] e vendido e distribuído pelo nosso site, reservando um porcentual padrão ao autor de 20% para cada livro vendido, ou 10% se o livro for encomendado pela Livraria Cultura, a única com a qual comercializo as obras", completa o editor. Nesse modelo, o valor desembolsado pelo escritor gira entre R$ 1,6 mil a R$ 2,5 mil e ele leva dez exemplares impressos para comercializar do jeito que preferir.
Já para a editora Protexto, de Quatro Barras, o escritor paga para manter um espaço próprio no site da empresa. A proposta faz parte do projeto Lume, iniciada no final de 2006, que se destina a divulgar novos autores com publicações sob demanda, em que a tiragem é limitada a poucos exemplares e reimpressa conforme a procura. Ursula Zamoner, sócia-proprietária da editora, diz que essa técnica ao contrário da convencional impressão offset, que produz tiragens grandes de uma só vez é o futuro das publicações: "As edições normais implicam muitos custos de estoque e distribuição e, nem sempre, a venda dos exemplares é garantida. A edição sob demanda, embora tenha o valor unitário 20% maior do que a impressão offset, elimina todo esse ônus e se compensa por isso."
Airo Zamoner, marido de Ursula e coordenador editorial da Protexto, conta que o projeto Lume tem atualmente 256 autores e já publicou 348 obras em diversos gêneros. "Os livros do Lume vendem, em média, 120 exemplares nos seis primeiros meses, variando entre um mínimo de dez e um máximo de 300 exemplares", afirma. Já o valor cobrado para participar do projeto e hospedar o anúncio no site é de R$ 480 em um pagamento único, mas pode aumentar caso o autor opte por parcelar o valor.
Editoração à distância
Os custos a que Ursula se refere, é claro, refletem no capital da editora. Essa é outra razão que leva muitos editores especializados a investirem nesse ramo. Zeca Martins, da Livro Novo, comanda as operações das gráficas parceiras na capital paulista a 200 quilômetros de distância, na pequena cidade de Águas de São Pedro. "Uma das vantagens desse tipo de editora é que não há necessidade de espaço físico. Não temos estoque nem edições esgotadas, já que sempre estamos reimprimindo exemplares. Faço reuniões de negócio e entro em contato com a equipe de freelancers que cuida dos livros pela internet", conta.
A internet é a principal facilitadora desse tipo de negócio. Além de contatar funcionários terceirizados, Martins garante, com a loja virtual, uma vendagem internacional que dispensa custos com transporte. "Temos agora uma loja virtual em Portugal. O cliente que quiser comprar um livro nosso por lá pode fazer a solicitação e ter o livro impresso em uma gráfica parceira sediada em Portugal. Dessa maneira, corta-se o frete e o exemplar sai mais barato."



