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Cinema

Uma comédia romântica com testosterona

Horacio Camandule em Gigante: prêmio de ator no Festival de Gramado | Divulgação
Horacio Camandule em Gigante: prêmio de ator no Festival de Gramado (Foto: Divulgação)

O nome é grandioso. No en­­tan­­to, Gigante, primeiro lon­­­­ga-metragem do argentino radicado no Uruguai Adrián Biniez, é um filme pequeno, a e­­xem­­plo da cinematografia do país fronteiriço ao Brasil – feita de filmes simples, de orçamento modesto, mas de impressionante qualidade (a produção concorreu ao Urso de Ouro no Festival de Berlim deste ano e recebeu o Kikito de melhor ator no Festival de Cinema Gramado para Horacio Camandule, que dividiu o prêmio com Matías Mal­­do­­nado, do colombiano Nochebuena).

Grande é o seu personagem, Jara (vivido por Camandule), um segurança de uma rede de supermercados de nome Gigante (inspirado na rede francesa Géant) que se apaixona por uma das faxineiras do local, Júlia (Leonor Svarcas) ao vê-la trabalhando pelas câmeras de vigilância. Extremamente tímido, ele não tem coragem de declarar o seu amor à moça, e passa a segui-la após o expediente só pelo prazer de vê-la em seu cotidiano.

Jara é um homem robusto, alto e aparentemente tosco. Está sempre sozinho ou jogando videogame com o primo, nas horas de folga. Veste calça preta, coturno e camiseta de banda e está sempre ouvindo rock com seus fones de ouvido – a ótima trilha sonora heavy metal foi feita especialmente para o filme. Uma vez por semana, ele completa o orçamento trabalhando como segurança de uma boate.

Quem poderia dizer que um homem como ele teria um coração equivalente ao seu tamanho? O filme é uma espécie de comédia romântica sem os esquemas óbvios do gênero – feita para agradar também aos homens. O amor masculino é mostrado ali em uma história contada por homens e, por isso, de acordo com a sensibilidade masculina, ou seja, com uma boa dose de testosterona.

Para contar esta história muito simples, mas criativa, o diretor apropriou-se de recursos sugeridos pelo roteiro. Ele usa, por exemplo, as câmeras de vigilância como pontos de referência do olhar: através delas o personagem olha, é olhado e enxerga a si próprio. Em uma das melhores cenas do filme, ele segue Júlia até uma loja em um posto de gasolina e, no caixa, ela o vê pela primeira vez pela câmera do proprietário, sem reconhecê-lo. O dono da loja diz para ela: "Bonito sorriso, não?". De volta para casa, Jara comemora cantando (rock, é claro) no banheiro. GGGG

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