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Berlinale

Uma história de perdas

Bruno Barreto, cineasta brasileiro

No papel de Lota, Glória Pires (à dir.) fala inglês em mais de 90% do filme | Lisa Graham/Divulgação
No papel de Lota, Glória Pires (à dir.) fala inglês em mais de 90% do filme (Foto: Lisa Graham/Divulgação)

Flores Raras (no título em inglês, Reaching for the Moon), novo filme de Bruno Barreto, foi recebido com aplausos na exibição para o público na 63.ª edição do Festival de Cinema de Berlim, na última segunda-feira. Barreto está de volta à capital alemã, onde, em 1997, O Que É Isso Companheiro? concorreu ao Urso de Ouro.

Selecionado para a Panorama, mostra paralela mais importante do evento, o filme retrata o romance entre a urbanista brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires) e a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto).

As fragilidades das duas personagens ficam nítidas na tela. Quando se conhecem, Lota é centrada, extrovertida, empreendedora e provedora, mas acaba perdendo a saúde (tem uma arteriosclerose precoce), a sanidade e a vida, se suicidando em 1967. Do outro lado, Elizabeth, alcoólatra, frágil, tímida, com uma trajetória pesada (perdeu o pai ainda criança e a mãe foi internada num manicômio) sobrevive por conseguir conviver melhor com suas dores.

Para viver Lota, Glória Pires fez uma grande transformação, usando óculos de grau com aros grossos e cabelos presos e repartidos ao meio. Ela atua em mais de 90% do filme falando em inglês e tem um excelente desempenho como a mulher forte que Lota era.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Barreto falou sobre a inspiração para o filme, o cerne da história e a importância desta exibição em Berlim.

Qual a principal motivação para levar a história de Lota e Bishop às telas?

Eu quis contar a história de amor entre a Elizabeth Bishop e a Lota de Macedo Soares para falar da perda. Se você quer ganhar, você tem que saber perder. A Bishop sabia, mas a Lota não. Como uma pessoa fraca, perdida e disfuncional, Bishop vai ficando forte por causa das perdas que sofre na vida e a Lota, pessoa forte, que sabe o que quer, vencedora e rica vai enfraquecendo por não conseguir lidar com as perdas.

Por isso o destaque no filme da fase em que ambas estão bem?

Sim. Quando elas se apaixonam e passam a viver juntas, Elizabeth e Lota têm os melhores momentos de suas vidas. Bishop ganha o Prêmio Pulitzer de poesia em 1956 e Lota idealiza e supervisiona a construção do Parque do Flamengo.

Esse momento é o cerne do filme?

Todo mundo lida com perdas. Essa é a questão central do filme. Não estamos fazendo uma cinebiografia.

O que representa este lançamento na Berlinale?

Estar na seleção oficial de Berlim – o segundo festival de cinema mais importante, logo depois de Cannes – é uma honra. Além disso, ter a première mundial num evento conhecido pelo seu prestígio crítico e destaque comercial junto aos distribuidores internacionais é muito bom. Importante também é o fato de outros filmes meus já terem participado de sua programação, o que criou uma audiência interessada em ver o que eu estou fazendo.

Quais são os planos para o filme após Berlim?

Como a estreia mundial é aqui, todos os planos serão feitos a partir deste festival. Já existem convites para quatro outros eventos, mas a resposta só será dada depois do resultado aqui.

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