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Cinema

Uma jornada para dentro da escuridão

Novo Star Trek estreia no Brasil em junho e aposta em ação e efeitos especiais grandiosos em 3D para atrair um público além dos fãs da série

Spock (Zachary Quinto) e Kirk (Chris Pine) mostram vulnerabilidades emocionais desconhecidas no novo filme da franquia | Divulgação
Spock (Zachary Quinto) e Kirk (Chris Pine) mostram vulnerabilidades emocionais desconhecidas no novo filme da franquia (Foto: Divulgação)
Decisões militares violentas fazem paralelo com a política norte-americana pós-11 de setembro |

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Decisões militares violentas fazem paralelo com a política norte-americana pós-11 de setembro

O inglês Benedict Cumberbatch faz de John Harrison um vilão hipnótico e assustador |

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O inglês Benedict Cumberbatch faz de John Harrison um vilão hipnótico e assustador

Desde a primeira sequência de Além da Escuridão – Star Trek, segundo filme da franquia Jornada nas Estrelas dirigido por J. J. Abrams, é possível perceber sua pretensão de entrar para a história dos filmes de ação.

Tudo é monumental neste novo voo da Enterprise, que chega aos cinemas do Brasil na primeira semana dos mês de junho. E o filme conta com ingredientes palatáveis até àqueles não iniciados no "universo trekkie".

Há espetaculares sequências de combate, perseguições e efeitos especiais sofisticados, filmados em 3D e Imax, que devem agradar aos fãs dos filmes de ação em geral.

Já os aficionados da série serão fisgados pelo bem­costurado roteiro, que explora conflitos éticos e morais vividos pela tripulação, usando o peculiar humor negro da série nos diálogos. Há também várias referências a episódios passados, à cultura pop e a antigos filmes de ação que vão garantir a diversão do público "nerd" (leia mais ao lado).

Vulnerabilidade

A narrativa ainda se preocupa em apresentar um lado mais humano dos personagens principais, em que a relação entre o capitão Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quanto) é colocada em xeque várias vezes, com ambos os personagens mostrando vulnerabilidades emocionais de caráter não imaginado.

Para completar, há o hip­­nótico e assustador vilão John Harrison, vivido pelo ator inglês Benedict Cum­berbatch (da série Sher­lock). Há momentos na performance do ator que fazem o público entrar no jogo de manipulação psicológica ao qual o supervilão submete o capitão Kirk. Por um momento, pairam dúvidas quanto à sua real índole malígna, até que sua verdadeira identidade é revelada (sem querer estragar a surpresa, neste momento do filme, os fãs presentes à sessão especial para a imprensa da América Latina enlouqueceram como se comemorassem um gol).

Além da Escuridão – Star Trek tem ainda o mérito corajoso de discutir alguns temas políticos com mais profundidade do que a esperada de um blockbuster feito para entreter milhões de pessoas. O filme arrisca com assuntos e imagens tabus para o público americano, como aeronaves descendo do céu para explodir prédios, terroristas suicidas e decisões militares absolutamente aéticas: "atirem primeiro, perguntem depois e façam uma guerra contra eles, pois eles estão acobertando nosso inimigo", ordena a Kirk o almirante Markus (Peter Weller), em um discurso muito parecido com o adotado pela política internacional americana no pós 11 de setembro.

"É um filme para entreter as pessoas. Mas a ideia também é pensar no que nos faz sentir medo. Queríamos que a plateia se conectasse com o vilão e quase simpatizasse com ele. Isto torna tudo mais interessante e ambíguo", explica Abrams.

"Há um histórico do gênero da ficção científica e, especialmente de Star Trek, em lidar com temas vitais do momento. Quando a série foi criada, em 1966, ela já discutia cultura, raça, sexo e poder. Tudo era muito ousado para a época", conclui o diretor.

J. J. Abrams troca Star Trek por Star Wars

O cultuado diretor J. J. Abrams não deve estar sentado na "cadeira" de comandante de um possível próximo filme da série Star Trek. Homem por trás de séries de sucesso na tevê, como Lost, ele vai começar a dirigir neste ano o sétimo episódio da saga Star Wars, com lançamento previsto para meados de 2015. O diretor, que adquiriu o status de "menino prodígio" da crítica e dos estúdios americanos, garante que deve participar apenas como produtor de uma nova sequência de Star Trek, cujas gravações devem iniciar em 2016.

O elenco, entretanto, está garantido em um novo episódio da franquia, a começar pelo galã Chris Pine, que tem se saído bem na difícil missão de substituir Willian Shatner no papel de capitão Kirk.

"Para mim, o que importa é a história e as pessoas que trabalham por trás dela. Espero fazer o terceiro episódio, desde que seja para contar uma boa história", promete Pine.

O ator conta que teve, em geral, reações positivas dos fãs da série em relação a seu trabalho anterior, mas que isso não afeta a maneira como atuou nesta nova sequência.

Elogios

O desempenho de Pine mereceu muitos elogios de Abrams, pois ele conseguiu transformar o arrogante e inconsequente Kirk em alguém "autocrítico e forte" na segunda metade do filme. "Chris soube fazer o que muitos atores relutam, que é interpretar com vulnerabilidade. Algo que não torna o personagem menos heróico, mas o aproxima da condição humana", observa o diretor.

Esta vulnerabilidade também foi destacada por outra estrela da companhia, a atriz Zoe Saldaña, que vive a tenente Uhura, especialista em línguas espaciais da Enterprise. Neste filme, o relacionamento entre ela e Spock passa por uma crise que faz o impassível vulcaniano chorar. Saldaña aprova a fragilização de Spock. "A única forma de levar as pessoas até uma história é apresentando personagens humanos, falíveis, que sentem medo. Gosto de heróis humanos. Não entendo histórias com homens que não choram quando sofrem grandes perdas", diz a atriz.

Bilheteria

A expectativa da produtora Paramount é que a sequência em 3D Além da Escuridão – Star Trek, supere os resultados da filme anterior Star Trek, lançado em 2009. Se aquele teve bons números de bilheteria nos Estados Unidos isto, porém, não se repetiu em outros mercados. Dos cerca de US$ 386 milhões gerados pelo filme, aproximadamente 70% foram arrecadados no mercado americano. As mudanças de forma e conteúdo do novo filme foram pensadas para conquistar este espaço. "A ideia era fazer um filme para os fãs de cinema e não só para os fãs de Jornada nas Estrelas", explica o diretor.

Referências

Um dos momentos mais festejados em todas as exibições públicas de Além da Escuridão – Star Trek é o encontro virtual entre o oficial Spock atual, vivido por Zachary Quinto, e o "Spock original", interpretado pelo ator Leonard Nimoy. Os dois oficiais de orelha pontuda conversam pelo teletransmissor da Enterprise em uma cena fundamental para o desfecho do enredo. Além disso, os fãs podem se divertir procurando referências a outros filmes da série e também a famosos longas de ação, como Os Caçadores da Arca Perdida, Butch Cassidy e outros.

3D e Imax

Além da Escuridão – Star Trek foi todo filmado com câmeras Imax de resolução extrema. A tecnologia permite que as cenas "encham a tela" com clareza e contrastes impressionantes. O filme também teve a imagem e o som digitalmente remasterizados para a tecnologia Imax 3D Experience. "A resolução é insana e você é tragado para dentro do filme" comemora o diretor J. J. Abrams. Para ele, o uso destas tecnologias ajudam "a criar mundos que, mesmo mágicos, não são sintéticos ou estéreis, mas parecem muito reais".

O jornalista viajou a convite da Paramount Pictures

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