
No Brasil, a psicanálise começou a ser estudada e trabalhada por volta dos anos 40 em São Paulo e, nos anos 50, no Rio de Janeiro. "É quando aparecem as Sociedades Oficias de Formação, chamadas de Internacional Psychoanalytic Association (IPI)", lembra o psicólogo Sergio Sklar, professor da Universidade Estácio de Sá (RJ).
Nos 70 anos da morte de Freud, completados no dia 23 de setembro deste ano, psicólogos e psicanalistas relembram as principais teorias dele e demonstram que as ideias ainda continuam sendo aceitas, principalmente no Brasil.
Freud era médico neurologista e começou a trabalhar com pacientes histéricas de 1892 até sua morte, em 1939. Ele passou a receber estas pacientes porque um amigo dele, chamado Josef Breuer, havia contado que tratava dessa patologia por meio da hipnose. Acreditava-se que, durante uma hipnose, se alguém mandasse a pessoa não ter mais certos ataques, ela pararia, mesmo quando voltasse a ficar lúcida.
"Foi o meio que ele encontrou para fundamentar quais eram as causas da histeria", explica Sissi. Freud, durante as consultas, começou a perceber que a histeria ocorria em pessoas que tinham passado por um trauma de infância e estes traumas ficavam guardados na cabeça delas sem terem conhecimento disso. Ele analisou que esta memória esquecida tinha de ir para algum lugar, assim descobriu o inconsciente. "Freud faz parte dos pesquisadores que perturbou o sono do mundo, no sentido de que o ser humano não é senhor da própria casa, porque é dominado por este inconsciente. É como se alguém que você não conhece habitasse seu corpo", diz Sissi.
Antes da descoberta de Freud, o inconsciente era algo que efetivamente não existia. Acreditava-se que um sonho, por exemplo, era apenas um tipo de descarga e tinha significados míticos. "Hoje sabe-se que, em linhas gerais, eles estão sujeitos à vontade humana, que são desejos que provêm do inconsciente, resultam de ideias latentes que são condensadas e representadas em imagens visuais", explica Sklar.
O psicólogo Marcos Abel, professor do Centro Universitário de Brasília, lembra que, no campo da ciência, em uma época anterior a Freud, um ato falho, uma troca de palavras, um sintoma psíquico (como uma alucinação) tudo isso era visto como tendo somente uma causa orgânica. "Freud propõe uma nova visão do homem, sendo dividido psiquicamente em uma parte consciente e conhecida e outra parte desconhecida, chamada de inconsciente. Até então, prevalecia a concepção de homem como indivíduo, ou seja, como indivisível, com pleno conhecimento de si mesmo ", explica Abel.
Depois de descobrir o inconsciente, Freud passou a orientar que a única "regra" de tratamento para a psicose seria a "associação livre", em que o paciente deveria suspender sua autocrítica e falar tudo que vem à mente. Por isso, psicólogos enfatizam a necessidade de as pessoas reservarem um tempo da vida para conseguir fazer o tratamento adequado. "O que é revelado do mundo humano interno por este diálogo (entre paciente e analista), sob efeitos da dimensão inconsciente, é um dos grandes avanços teóricos que marcam a originalidade freudiana", afirma Sklar.
Um dos temas mais polêmicos de Freud foi o estudo a respeito da sexualidade. Isto porque, na época, muitos fizeram interpretações erradas sobre a teoria. "Havia a ideia distorcida de um pansexualismo. Outro grande erro, como o próprio Freud ressalta, é o de supor que a psicanálise alcança a cura de distúrbios neuróticos pela livre expansão da sexualidade", afirma Sklar.



