O ponta-grossense Fernando Burjato mora desde 1996 em São Paulo. Daniela Vicentini se mudou há pouco tempo para Florianópolis. Mas a dupla, que se conheceu nos corredores da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), não perde uma chance de visitar juntos exposições e prosear sobre arte.
A experiência que tiveram como professores fez com que desejassem estender suas longas conversas a um público leigo. A chance surgiu quando tiveram um projeto de livro contemplado pelo edital do Mecenato Subsidiado da Fundação Cultural de Curitiba FCC, em 2007.
Arte Brasileira nos Acervos de Curitiba foi lançado na última terça-feira, no Centro Cultural Solar do Barão, juntamente com uma exposição reunindo a maior parte das obras dos espaços da Fundação Cultural de Curitiba que estão no livro, com curadoria dos dois artistas e de Simone Landal. "O livro é um convite para que as pessoas visitem os museus. Então, nada melhor do que lançá-lo junto com uma exposição", diz Burjato.
O título da publicação pode ser enganoso, alertam os autores. Eles não pretenderam traçar um diagnóstico do que há nos espaços curitibanos visitados, mas refletir sobre algumas de suas obras, selecionadas após uma extensa pesquisa. "É uma conversa sobre arte feita para ser compreendida por um público leigo, jovem, mas ultrapassa faixas etárias", explica Burjato, ele próprio com uma exposição individual de pinturas na galeria Casa da Imagem.
Sem começo, meio ou fim, o livro pode ser lido em qualquer ordem. Cada capítulo, nomeado com um verso do poema "Arte Pura", de Carlos Drummond de Andrade, traz textos curtos e reflexivos sobre obras que, colocadas lado a lado, conversam entre si. Em um deles, por exemplo, as bacias empilhadas umas nas outras na imagem "Turbilhão", de Haruo Ohara, dialogam com a forma redonda construída com linhas pretas do "Desenho N.º 1", de Lothar Charoux.
A obra de Ohara figura na exposição ao lado de imagens de Brasília e do presidente Juscelino Kubitschek, de Thomas Farkas, e das experimentações de Geraldo de Barros. "Pouca gente conhece a obra desse fotógrafo que estava isolado em Londrina produzindo um material tão moderno quanto a destes dois fotógrafos", analisa Burjato.
O alinhavamento descompromissado que se vê no livro com a história da arte se repete na exposição. Lado a lado, estão obras do francês Jean-Baptiste Debret, que integrou a Missão Artística Francesa no Brasil, no início do século 19, e o contemporâneo Leonilson (1957-1993). Há uma sala de paisagens, por exemplo, em que estão obras de Alberto da Veiga Guignard, Miguel Bakun, Bruno Lechovski, Joseph Geller e o contemporâneo Francisco Faria.
Ao selecionar as obras para o livro, os autores partiram de uma seleção arbitrária. "Levamos em conta nossa formação e nossos gostos pessoais", conta Daniela. A primeira etapa foi feita com imagens digitais disponibilizadas pelos espaços. "Como as legendas vinham em outro CD, aproveitamos para escolher as obras sem reconhecê-las, em um contato direto com as obras, não com sua história", conta Burjato.
A publicação de escrita simples e muito leve, apropriada para um público mais jovem, é pontuada por perguntas e lacunas propositais. Uma estratégia para instigar o leitor a visitar os museus e conferir com seus próprios olhos o que viu no papel. "É bom ler sobre arte, mas nada substitui o contato direto com a obra", diz Burjato.
O livro pode ser encontrado na loja do Museu da Gravura a R$ 40.
Serviço: Arte Brasileira nos Acervos de Curitiba: Um Percurso Junto aos Museus da Fundação Cultural de Curitiba, no Solar do Barão (R. Carlos Cavalcanti, 533), (41) 3321-3269. De segunda a sexta-feira, das 9 às 12 horas e das 13 às 18 horas; sábado e domingo, das 12 às 18 horas. Até 24 de outubro.





