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Teatro

Uma rara ponte Brasil-Argentina

Pablo Messiez e Eugenia Guerty contracenam em La Noche Canta Sus Canciones, dirigida por Daniel Veronese | Cristine Rochol/ Divulgação PMPA
Pablo Messiez e Eugenia Guerty contracenam em La Noche Canta Sus Canciones, dirigida por Daniel Veronese (Foto: Cristine Rochol/ Divulgação PMPA)
Esteban Biglilardi, Pilar Gamboa e Esteban Lamothe são dois irmãos e uma prima em Algo de Ruído Hace, de Romina Paula |

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Esteban Biglilardi, Pilar Gamboa e Esteban Lamothe são dois irmãos e uma prima em Algo de Ruído Hace, de Romina Paula

A vizinhança entre Brasil e Argentina não garante o intercâmbio de artistas e textos teatrais. Se o brasileiro pouco conhece dos dramaturgos e diretores da região platense, tampouco os portenhos sabem o que se passa no teatro brasileiro: nem Nelson Rodrigues desperta algum sinal de reconhecimento na jovem dramaturga e diretora Romina Paula, de 28 anos e quatro textos montados. Ela esteve no Brasil pela primeira vez com a peça Algo de Ruído Hace no 15º Porto Alegre em Cena, que terminou no último domingo.

O festival gaúcho, um dos mais importantes do país, acaba sendo uma oportunidade anual de entrar em contato com as produções dos países do Mercosul.

Outras duas peças vindas de Buenos Aires a convite do evento, La Noche Canta sus Canciones e Antes, depuseram a favor do bom momento por que passa o teatro portenho na última década, desde a criação da lei de subsídio pelo Instituto Nacional del Teatro. "Em dez anos, passamos de 60 para 300 espetáculos em cartaz e nos tornamos a capital latino-americana de teatro independente", comemora a atriz Eugenia Guerty.

Até onde se tem notícia, La Noche Canta Sus Canciones, escrita pelo norueguês Jon Fosse, nunca havia sido apresentada no Brasil. A peça trata de um casal em crise: o homem se recusa a sair de casa e sonha (mas não consegue) sobreviver como escritor. A mulher sustenta a família e não suporta mais a prisão doméstica. Quando a tensão entre os dois extrapola, ela faz as malas para ir embora com o amante. Mas, antes de sair, vacila em sua decisão.

A montagem, vista em Porto Alegre em espanhol sem legenda, foi a do premiado diretor argentino Daniel Veronese, criador do grupo El Periférico de Objectos. O mesmo que havia impressionado a crítica com Espía uma Mujer Que Se Mata, sua versão para Tio Vânia, de Chekov, no festival de 2007.

La Noche... também agradou com sua estética hiper-realista, de grande intensidade emocional graças às atuações internalizadas: os atores parecem verdadeiramente reagir uns aos outros e seus sentimentos, vir de dentro para fora.

"Veronese gosta da idéia de que as pessoas espiem como por uma janela da casa", diz o ator Diego Gentile, o "amante". "O clichê do teatro não lhe interessa." Esse jeito de pensar a cena teatral é uma marca do diretor e também uma tendência de parte da dramaturgia portenha. "Há outras propostas similares à de Daniel Veronese, com o desaparecimento das marcas de atuação, a expressão lavada e diálogos em que não se entende tudo", diz Pablo Messiez, ator de La Noche... e autor e diretor de Antes, outro espetáculo argentino que mereceu destaque na programação deste 15º Poa em Cena.

Messiez, Daniel Gentile e Eugenia Guerty ao menos conhecem Nelson Rodrigues. Já viram uma montagem de Os Sete Gatinhos no Teatro Nacional de Buenos Aires. "Seria ótimo se fôssemos mais próximos. Nem com o Uruguai há intercâmbio", afirma a atriz. Terão mais chances de se acercar da cena brasileira depois do sucesso em Porto Alegre, que lhes rendeu convites para participarem das próximas edições dos festivais de Londrina, Rio de Janeiro e Brasília.

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