A geração da saga Crepúsculo talvez ache a história muito inovadora, mas vampiros e lobisomens são um fetiche antigo dos autores de cinema, teatro e televisão. Se no cinema a primeira aparição dos sugadores de sangue foi em 1922, com Nosferatu, clássico de F.W. Murnau, a primeira novela brasileira sobre o tema foi a obscura Um Homem Muito Especial, de Rubens Ewald Filho, exibida pela TV Bandeirantes entre julho de 1980 e fevereiro de 1981. Só dez anos depois estrearia na TV Globo uma trama vampiresca de grande repercussão, Vamp, de Antonio Calmon, que o Canal Viva reprisa de segunda a sexta-feira, às 15h30.
O autor, que já tinha fisgado o público jovem nos anos 80 com Armação Ilimitada, atingiu em cheio o coração dos adolescentes da década seguinte com essa história que misturava vampiros, humor, suspense e rock afinal, a mocinha, Natasha (Cláudia Ohana), era uma cantora vampira que tentava se livrar da maldição lançada pelo conde Vlad (Ney Latorraca, numa interpretação memorável).
Outro destaque da novela era o numeroso elenco mirim, que reunia os 12 filhos do capitão Jonas Rocha (Reginaldo Faria) e da historiadora Carmem Maura (Joana Fomm), além de Matosinho (André Gonçalves). No meio dessa galera estavam atores que se consagrariam depois na Globo, como Fabio Assunção (Lipe) e Fernanda Rodrigues (Isa), além do próprio André Gonçalves, e outros que cairiam no ostracismo, como Carol Machado (Dorothy), Daniela Camargo (Lena), Aleph Del Moral (Rubinho) e Rodrigo Penna (León).
Aos poucos, a história de suspense e rock-and-roll foi descambando para a chanchada, no melhor estilo "terrir". Nesse contexto, ganhou destaque o hilário núcleo da família Matoso, formado por Otávio Augusto (o vampiro de uma presa só Matoso), Mary (Patrícia Travassos), Flávio Silvino (Matosão) e André Gonçalves (Matosinho). Mistura de vampiros e bruxos, o casal fazia poções mágicas e se transformava em sapos. A trama de Jurandir, o Padre Garotão (papel de Nuno Leal Maia, um assaltante que se disfarçava de sacerdote), também rendeu bons momentos.
Mas foi Ney Latorraca, cujo Vlad se tornaria um dos personagens mais queridos da teledramaturgia brasileira, o responsável por uma sequência antológica da novela: a impagável coreografia mórbida de "Thriller", de Michael Jackson, num cemitério que ainda não foi ao ar na reprise, mas pode ser facilmente encontrada no YouTube. O folhetim fez tanto sucesso que Antonio Calmon repetiu a fórmula em 2002, com O Beijo do Vampiro. Vamp também havia sido reprisada em 1993, às 16h55, na programação de férias da TV Globo.
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Serviço:
Vamp é exibida de segunda a sexta-feira, às 15h30, no Canal Viva.



