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Literatura

Verdade “barra pesada”

Escritor lança coletânea de contos cuja temática é o assassinato levado a sério

Edilson Pereira: ofício de cortar palavras aprendido em anos de edição jornalística | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Edilson Pereira: ofício de cortar palavras aprendido em anos de edição jornalística (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)
Contos:Uma Profissão Tão Antiga Quanto a Tua Edilson Pereira. Swedenborg. 202 págs. R$ 18 |

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Contos:Uma Profissão Tão Antiga Quanto a Tua Edilson Pereira. Swedenborg. 202 págs. R$ 18

Nos vinte primeiros contos de Uma Profissão Tão Antiga Quanto a Tua, o escritor e jornalista Edilson Pereira mostra por que todos os homens são assassinos em potencial e como matar pode ser tão natural quanto respirar. "Quem nunca ouviu alguém na fila do banco ou o colega dizendo que está com vontade de matar alguém? No meu livro, eles matam à vontade", disse, em entrevista à Gazeta do Povo.

No último texto, ele dá a receita que o salvou: escrever histórias de traições, trapaças, vinganças e assassinatos em família. "Às vezes me acusam de ser duro demais. Digo que não sou eu: é a realidade", defende-se.

No livro, a arte e o engenho de matar aparecem em seus arquétipos clássicos impregnados de culpa religiosa e desejo sexual, como no texto que dá título à coletânea. "Se a prostituta é a profissional mais antiga, matar – o ofício de Caim – é quase da mesma época. Para não criar um problema teológico, equiparei os tempos de serviço", brinca.

O universo da ficção de Pereira se confunde com a realidade crua dos cadáveres desovados em valas com que Pereira se deparou em parte de sua premiada carreira de mais de 35 anos na imprensa. "O jornalismo te dá a prática da escrita e contato com a realidade. Na literatura, eu tinha que procurar onde está enterrado meu sapo neste pantanal e o gênero policial é um dos locais", explica.

Para a inveja de alguns colegas aspirantes a escritor, há alguns anos Pereira é repórter especial da Tribuna do Paraná e escreve folhetins policiais repletos de sangue e sexo em que recria com prosa sem floreios os crimes célebres do submundo curitibano.

Ele conta que há inclusive um projeto "que ainda está sendo formatado", de transformar os 18 casos da série Tribuna da Verdade em livro. Enquanto isso, ele decidiu editar por conta própria esta coletânea e partir para a "distribuição de guerrilha, de mão em mão".

Sarjeta

Toda a estética do livro, desde a capa até os diálogos rudes e secos, tem inspiração "cine-literária", segundo o autor. Informação que vem das séries de mistério em formato de folhetim vistas nas matinês de cinema na Maringá da infância; de todo o cinema noir e da literatura policial americana – aqueles livros de bolso em que mulheres fatais procuram detetives particulares com o nome pintado no vidro da porta do escritório.

Os enredos são rápidos e caminham em geral para uma reviravolta e desfecho trágicos. Boa parte dos contos, aliás, parece roteiro pronto de filme policial B, de curta-metragem, à espera do som da claquete.

Os textos são secos. Ora­ções curtas, sem vírgula, que facilitam a leitura. Algo que, além da tradição do gênero literário, veio de anos como editor de jornal diário: o ofício de cortar palavras inúteis.

A linguagem e as gírias são aquelas dos "malacos" das quebradas "barra-pesada" de Curitiba nos anos 80. Embora sem menção a tempo e lugar, todos os crimes podem ter acontecido em qualquer esquina brasileira.

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