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Cinema

Vida depois de Titanic

Avatar agrada ao público que assistiu à sua pré-estreia, na última quarta-feira, principalmente pela cenografia e pelos efeitos especiais

Amor Titanic: Neytiri, vivida por Zoe Saldana, é a mentora Na’Vi por quem o protagonista Jack Sully se apaixona | Fotos: Divulgação
Amor Titanic: Neytiri, vivida por Zoe Saldana, é a mentora Na’Vi por quem o protagonista Jack Sully se apaixona (Foto: Fotos: Divulgação)

A tão esperada megaprodução Avatar, novo filme de James Ca­­meron, diretor do melodrama Titanic (1997) – até hoje recordista mundial de bilheteria, com renda acumulada de US$ 1,9 bilhão de no mundo –, não desapontou os espectadores curitibanos que assistiram ao filme em primeira mão na última quarta-feira (16), na Sala Imax do Shopping Palladium. "É um novo passo para os filmes de ficção científica", diz a estudante Caroline de Lima, de 13 anos. A garota está certa. A produção mais cara da história, com orçamento total de US$ 500 milhões e que levou 12 anos para ficar pronta, tem sido considerada um divisor de águas no cinema, ao menos em termos de tecnologia. "Valeu cada centavo dispendido", disse Shei­­­­la Ribas à saída do cinema, que ainda não tinha visto um filme em 3D. Quem viu, sabe que animações recentes como Up – Altas Aventuras e Os Fantasmas de Scrooge são fichinha perto deste filme que utilizou tecnologias criadas especialmente para sua produção.

Câmeras bem menores

James Cameron mandou fabricar câmeras muito menores que as co­­mumente utilizadas para filmar em 3D e, assim, pôde aprofundar a captação de movimentos e a profundidade de campo impressionante do cenário – mesmo que um pouco desfocadas, há cenas em que o espectador precisa mover o olhar pelos vários cantos da tela para dar conta de tantos detalhes paralelos ao primeiro plano.

A técnica motion capture, que transfere os movimentos e expressões de um ator para as telas em forma de imagem digitalizada, já vem sendo utilizada em animações desde o lançamento de O Expresso Polar (2004), de Robert Ze­­meckis. Mas, com a ajuda de um capacete acoplado a uma câmera, Cameron conseguiu tornar os azuis e esguios seres do planeta Pandora, assustadoramente se­­me­­lhantes aos humanos.

Enquanto os atores atuavam diante de um fundo verde, Cameron os via em perfeita interação com os cenários criados em computador com a ajuda de uma nova câmera que ele encomendou ao estúdio Weta Digital, de Peter Jackson (da trilogia O Senhor dos Anéis), algo iné­­dito até então. Pela primeira vez, as cópias têm legendas em ver­­são 3D que, se por um lado, ainda ficam desfocadas se misturam por vezes às imagens, por outro, permitem ver o filme sem a necessidade de dublagem.

História convencional

Mas nem só de efeitos especiais se faz um bom filme. "A história pode não ser muito criativa, mas era o que eu es­­perava. É emocionante, tem a mistura certa de guerra, amor", diz Caroline de Lima.

O enredo também agradou ao estudante Rodrigo Richa. "Eu esperava menos", disse, sobre a história futurista que se passa no planeta Pandora, no ano de 2154, onde os terráqueos tentam colonizar o país em busca de um minério precioso depositado bem abaixo das moradias do povo local.

Os Na’vi, como são chamados os seres azuis muito altos, esguios, de cabelos perfeitamente arrumados em dreadlocks e colares semelhantes aos de povos indígenas do planeta Terra, vivem em perfeito equilíbrio com a natureza: não matam animais sem necessidade e têm a capacidade de ligar-se à natureza por meio do afeto e de suas longas tranças que literalmente se plugam às árvores e aos animais.

Parelelo – mas não em concordância – com a intenção dos exploradores e militares de dominar o local, está um projeto gerenciado pela cientista Grace Augustine (Sigourney Weaver). Ela envia avatares – corpos de Na’vis controlados por voluntários humanos – para a floresta a fim de conviver com seus habitantes e, assim, colher informações.

O fuzileiro naval Jake Sully (Sam Worthingon, de O Exterminador do Futuro: A Salvação) ficou paraplégico e, sem muitas perspectivas profissionais, decide substituir o irmão gêmeo, que morreu acidentalmente, no projeto Pandora.

Ele se infiltra entre os Na’vi, como um avatar, com a missão de transmitir tudo o que vê ao truculento coronel Miles Quaritch (Stephen Lang, de Inimigos Públicos).

Mas o fuzileiro com pinta de durão se deixa envolver pelos encantos do povo azul e pela liberdade de, como avatar, usar suas pernas inutilizadas para escalar as gigantescas árvores e montanhas flutuantes da floresta, ao lado de sua mentora entre os Na’vi, Neytiri (Zoe Saldana, de Star Trek), por quem se apaixona.

Por essa curta sinopse, se percebe logo que o enredo é convencional e parece reunir elementos de um punhado de outros filmes: reconhece-se logo Guerra nas Estrelas, Matrix, O Se­­nhor dos Anéis, o próprio Titanic, Parque dos Dinossauros e até Harry Potter – este último, nas cenas em que os Na’­Vi voam em bichos que se assemelham a pterodáctilos. Se a tecnologia é sofisticada e oferece um visual belíssimo, como a floresta que por vezes lembra uma discoteca de luzes psicodélicas, o roteiro é armado sobre um conjunto de clichês e maniqueísmos. A duração do filme – de quase três horas –, incomodou um pouco, um pouco menos pelo desenvolvimento da história, que da metade para o fim ganha agilidade rumo a um súbito final feliz, e mais pela vontade de ir ao banheiro e pelos óculos, que após um tempo começam a machucar atrás das orelhas.

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