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Visuais

Videoarte em múltiplas possibilidades

Mostra em cartaz em uma galeria recém-inaugurada no Oi Futuro Ipanema, centro cultural no Rio de Janeiro, reúne artistas brasileiros de várias gerações

A diversidade de propostas é um dos aspectos mais instigantes da exposição | Ana Colla/Divulgação
A diversidade de propostas é um dos aspectos mais instigantes da exposição (Foto: Ana Colla/Divulgação)

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A artista carioca Maria Lynch fazia mestrado no Chelsea College of Art & Design, em Londres, na década passada, quando teve uma espécie de epifania. Pintora, foi estimulada por seus professores na escola inglesa a se abrir a outras linguagens, entre elas a videoarte. Uma de suas primeiras incursões nesse meio de expressão nasceu de um momento muito íntimo e pessoal.

Diante da imagem mutante de uma de suas calcinhas, que tremulava sob o ar quente de um secador de mãos automático, Maria se viu hipnotizada. A peça de roupa íntima, um objeto ao qual é atribuído uma grande carga de erotismo e sensualidade, adquiria outras formas, não identificáveis, se contorcendo, com o impacto do ar quente sobre o tecido.

A artista decidiu captar esse processo com uma câmera de vídeo e, assim, nasceu "Panty" (calcinha, em inglês). A obra, de 2007, integra a mostra Videoarte 2013, em cartaz até 31 de março, em uma recém-inaugurada galeria no Oi Futuro Ipanema, centro cultural mantido pela empresa de telecomunicações no Rio de Janeiro. A exposição reúne trabalhos de 13 artistas brasileiros de distintas gerações. Cada um, a sua maneira, explora as possibilidades da imagem em movimento como forma de expressão.

Além de Maria Lynch, participam da mostra Nazareno, Alessandro Sartore, Tadeu Jungle, Ricardo Barreto e Maria Hsu, Albano Afonso, Cid Campos, Niura Belavinha, Lenora de Barros, Marcos Chaves, Jozias Benedicto e Ricardo Carioba. Sartore e Benedicto produziram obras especialmente para a exposição.

Segundo o curador da Videoarte 2013, Alberto Saraiva, o vídeo faz hoje parte da vida móvel do sujeito contemporâneo, no celular e nas redes sociais. "Estão sendo feitos para e dentro das redes interativas." Ele destaca, contudo, que a proposta da exposição que organizou é mostrar esse recurso audiovisual como "um motor das reflexões dos artistas, um lugar onde eles colocam as questões conceituais de seus trabalhos, onde suas ideias e suas poéticas são discutidas".

A diversidade de propostas é um dos aspectos mais instigantes da exposição, evidenciado pelo fato de os trabalhos estarem em exibição em uma única sala, lado a lado.

Por exemplo, Nazareno, cearense radicado em São Paulo, busca inspiração nos contos de fadas para criar "A Boazinha", "A Mais Forte" e "A Boa Demais para Você", todos realizados em 2005. São vídeos de curtíssima duração, feitos a partir da técnica de animação stop motion e protagonizados por bonecas de feltro verde que encarnam figuras arquetípicas dessas histórias infantis sobre temas como poder e crueldade.

Já "Kissing Mask" (2005), do carioca Marcos Chaves, traz o próprio artista diante da câmera, em um plano fixo, com uma máscara de carnaval que emula um beijo, com lábios imensos, que, por conta da duração do vídeo, ganha cartáter subversivo, perverso.

O jornalista viajou a convite da Oi Futuro.

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