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Comportamento

Voyeurismo hospitalar

Seriados médicos fazem a cabeça tanto de estudantes e profissionais da área, como de quem não tem nada a ver com o assunto

House: Gregory House (ao centro) e sua equipe: rabugice, sarcasmo e sucesso | Fotos: Divulgação
House: Gregory House (ao centro) e sua equipe: rabugice, sarcasmo e sucesso (Foto: Fotos: Divulgação)
Scrubs: o lado engraçado da Medicina |

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Scrubs: o lado engraçado da Medicina

O elenco de E.R., que disseminou a paixão pelo gênero |

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O elenco de E.R., que disseminou a paixão pelo gênero

Grey´s Anatomy: romances e dúvidas existenciais entre pinças e bisturis |

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Grey´s Anatomy: romances e dúvidas existenciais entre pinças e bisturis

Desde a primeira vez que George Clooney apareceu na tevê usando um jaleco, nos anos 1990, na primeira temporada de E.R. (ou Plantão Médico, como foi chamado na Globo), a febre dos seriados médicos se instaurou de maneira irreversível no Brasil – tornando milhões de pessoas absolutamente dependentes, com direito inclusive a síndrome de abstinência entre as temporadas.

Não que E.R. – que continua no ar até hoje, em sua 14ª temporada – tenha sido a primeira série médica. Esse posto é da britânica Emergency Ward 10, produzida pela ATV e exibida na Inglaterra entre 1957 e 1967. Nos EUA, as pioneiras foram Dr. Kildare, exibida pela NBC entre 1961 e 1965, e Ben Casey, que a rival ABC transmitiu na mesma época. Mas nenhuma chegou a fazer sucesso planetário.

Nos anos 1970, o tema voltou à tona com M*A*S*H, telessérie surgida em 1972 a partir do filme homônimo de Robert Altman, que mostrava o cotidiano de uma unidade médica do exército norte-americano na Guerra da Coréia. O programa detém até hoje o recorde de audiência nos EUA: o último episódio – "Na Guerra Nunca Mais" – reuniu mais de 100 milhões de espectadores, com 77% de share.

Nos anos 1980 os doutores praticamente sumiram da televisão, para voltar com tudo na década seguinte, com E.R.. Criada pelo escritor e ex-médico Michael Crichton inicialmente para ser um longa-metragem dirigido por Steven Spielberg – que preferiu rodar Jurassic Park – Parque dos Dinossauros, outra idéia dele – , E.R. foi um fenômeno instantâneo assim que o seu primeiro episódio foi ao ar pela NBC, em 19 de setembro de 1994. O dia-a-dia no pronto-socorro do County General Hospital de Chicago se tornou uma das séries mais bem-sucedidas de todos os tempos e ajudou a impulsionar a carreira de gente como Clooney, Anthony Edwards e John Leguizano. O sucesso foi tanto que a Rede Globo comprou os direitos para exibir o programa no Brasil, com o nome de Plantão Médico. Na esteira do sucesso de E.R. viriam outras ficções do gênero, como a improvável comédia Scrubs, além de Grey's Anatomy, Nip/Tuck e House.

O brilhante e sarcástico doutor Gregory House, aliás, é o responsável pelo mais recente boom dos seriados hospitalares. E o engraçado é que eles seduzem tanto os profissionais da Medicina quanto os leigos. "É um pouco daquela história de que de médico e louco, todo mundo tem um pouco", teoriza o ortopedista Gustavo Botelho, que assistia a E.R. e agora acompanha House e Scrubs. "As pessoas gostam de dar palpites e também começam a entender um pouco mais esse universo. Todo mundo gosta de ver uma pessoa ser curada, mas acho que é o mesmo fascínio exercido por histórias de bombeiros, policiais ou advogados, que também dão boas séries", analisa.

Sobre suas duas séries favoritas, ele resume: "House é genial, o cara é arrogante, misantropo, drogado, mas é brilhante e resolve os problemas de todo mundo. Acho que todos queriam ser o House de vez em quando", afirma. "E Scrubs é uma comédia bem feita, que fala muito do dia-a-dia dos residentes", conta. Ele também admite que assiste aos seriados com olho clínico: "A gente acaba sendo mais crítico. Por exemplo, na abertura de Scrubs o raio-x está ao contrário, com o coração do lado direito. Ou então, tentamos adivinhar o diagnóstico antes deles", confessa.

Médico recém-formado e outro fã de House, Gustavo Marcinko acha que às vezes os roteiristas "forçam a barra": "Em House eles pedem muitos exames, conversam muito pouco com o paciente. Mas o raciocínio para chegar ao diagnóstico e o tratamento são corretos", observa.

Sem falar que os médicos da ficção também costumam arrebatar as garotas. Que o diga a designer Bianca Marotta, do Rio de Janeiro, que inclusive desenvolveu uma teoria sobre o poder de sedução de Gregory House no blog Papo Série. "Toda vez que eu conversava com uma amiga sobre House, ela dizia – 'nossa, ele é um espetáculo, eu fazia tranqüilo!'", lembra ela, que se inspirou na tietagem para o texto. Que ela assina embaixo: "Eu dei uma exagerada, mas ele tem o seu charme", admite.

Bárbara Veloso, outra designer e autora do Papo Série ao lado de Sérgio Maggi e Elis Monteiro, enumera algumas razões para o sucesso das séries médicas. "O médico, principalmente para as mulheres, é associado a uma pessoa bem-sucedida. As mães falavam muito para suas filhas casarem com um médico", destaca. "E também tem aquela curiosidade meio mórbida, você vira o rosto mas gosta de ver sangue. No E.R. é até uma coisa meio doentia, aquele sangue escorrendo", aponta. Outra particularidade é que as ficções médicas despertariam a hipocondria dos telespectadores: "Você começa a se perguntar se não tem aquilo, começa a perceber os sintomas e até a criar um autodiagnóstico", diverte-se.

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