Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Cinema

Wes Anderson entra no mundo da animação com "O fantástico Mr. Fox"

Animação conta com o uso da fotografia em zilhões de posições.

Cena de "O fantástico Mr. Fox" | Divulgação
Cena de "O fantástico Mr. Fox" (Foto: Divulgação)

Quem não é fã incondicional de Wes Anderson pode apontar uma série de senões em seu trabalho. O excêntrico diretor americano só não pode ser acusado de se preocupar demais com o que Hollywood pensa. Ou não teria investido tempo e prestígio em "O fantástico Mr. Fox", um projeto cujo sumário soa tão bizarro quanto filmes como "Os excêntricos Tenenbaums" ou "A vida marinha com Steve Zissou": trata-se de uma animação longa-metragem feita com o tradicional e complexo método de usar fotografia em zilhões de posições, tendo como base um livro do britânico Roald Dahl, muito mais conhecido por ser o autor de "A fantástica fábrica de chocolate".

Só a coragem de arriscar numa hora em que a crítica ainda reclama de seu último filme, "A viagem Darjeeling", já valeria aplausos a Anderson. Mas "Mr. Fox", ainda que remando na contramão da tendência high-tech estabelecida pelas Pixars da vida e se assemelhando muito mais às animações da Europa Oriental que costumavam habitar a grade de programação da TVE - e cujo ritmo lento é exemplificado pela relação de três semanas de filmagens para três minutos de filme - , está longe de ser mera pirraça do diretor. Mesmo a escalação de uma série de vozes famosas para as aventuras de uma raposa ladra e seus amigos (time encabeçado por George Clooney, com várias figurinhas carimbadas do mundo de Anderson, como Bill Murray, Owen Wilson e Jason Schwartzman) cai como uma luva para o filme.

Ainda mais porque Anderson fez mais do que simplesmente colocar os atores à frente do microfone. Clooney & cia. gravaram suas participações de forma pouco usual: os vídeos já disponíveis do making of mostram o galã dando cambalhotas num pasto, por exemplo, e muitas das sessões foram realizadas em fazendas reais, usando celeiros e galinheiros como estúdios - uma pena que todo esse esforço passará em branco pelo público brasileiro caso a tendência de dublagem de produções do gênero volte a imperar.

Quem prestar atenção nas animações verá que Anderson quis ver incorporadas nos bonecos de massa as expressões dos atores - o que significa dizer que Mr. Fox não apenas fala como Clooney, mas dá aquela famosa arqueada de sobrancelha que é sua marca registrada. Ao mesmo tempo, porém, cenários e ações são de uma rusticidade nostálgica. Proposital, diga-se de passagem - Anderson não é um fã da farra digital nos desenhos animados.

"Quis evitar ao máximo usar efeitos digitais e confiar apenas em velhas tecnologias. Isso incluiu usar bolas de algodão para simular fumaça", contou o diretor na semana passada, numa entrevista coletiva em Londres.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.