São Paulo Remodelar a polpa do folk rock por meio de experimentações estilísticas sempre foi a principal missão do Wilco, e fez da banda norte-americana o expoente máximo do gênero conhecido como alt-country. A proposta deu ao grupo consistente e dedicada base de fãs, e seus cinco discos foram elevados pela crítica. Mas no sexto álbum, a banda abandona qualquer tentativa de complexidade para focar na simplicidade das canções.
Sky Blue Sky, que acaba de ser lançado no Brasil, vai atrás do íntimo da música folk dos EUA, e essa busca é representada por músicas de instrumentação básica, que dá espaço para a pureza de linhas de guitarra e bateria.
As letras, antes conflituosas, de tons pesados, agora emitem otimismo, fé, calmaria. A responsabilidade é do vocalista e líder do grupo, Jeff Tweedy, que diz ter se livrado de problemas com álcool e outras drogas.
"Muitas coisas aconteceram entre o último disco e este", Tweedy conta, por telefone. "Recebi muito mais ajuda para compor as músicas, e isso foi bom. Além disso, estou mais velho, tenho filhos... Você tem que manter um certo otimismo para criar um ambiente em que seus filhos possam crescer com alguma esperança.
Mesmo nessa época terrível em que estamos vivendo, política e socialmente, temos que ter alguma fé."
Para produzir Sky Blue Sky, foram agregados ao agora sexteto Wilco o guitarrista Nels Cline e o multiinstrumentista Pat Sansone.
"Foi definitivamente o processo de gravação mais prazeroso que já tivemos. Ficamos 30, 40 dias em nosso estúdio. Foi um período divertido, e isso refletiu no álbum, que é muito mais otimista e esperançoso do que os outros."
Esses outros são, por exemplo, os aclamados Summerteeth (1999), Yankee Hotel Foxtrot (2002) e A Ghost Is Born (2004). Já Sky Blue Sky é menos "roqueiro" que seus antecessores menos aventureiro talvez, mas não menos ambicioso.
Neil Young, The Byrds, Bob Dylan. Esses e muito mais estão em Sky Blue Sky e na busca do Wilco por reduzir a música americana à sua essência. Curiosamente, as canções mais coesas e sólidas do disco estão no final. "Leave Me (Like You Found Me)" é uma balada sensível; enquanto "Walken" e "What Light" parecem feitas para um road movie.
Já "On and On and On", a última, nos transporta para dentro de sua própria letra: é como desaparecer em um sonho.



