Em entrevista ao programa Café com a Gazeta na última terça-feira (20), o deputado municipal de Barcelos (Portugal), Manuel Beninger, analisou o cenário das eleições presidenciais em Portugal após a ida de André Ventura, líder do partido Chega, ao segundo turno do pleito.
Em conversa com o apresentador Lucas Saba, Beninger destacou a mudança no quadro político português que, após décadas de alternância entre partidos de centro e de esquerda, passa a ter um candidato de direita com chances reais de vitória. Segundo o parlamentar, Ventura defende uma reformulação da gestão pública e o endurecimento das políticas migratórias – pautas que têm impulsionado o crescimento do Chega no país.
O debate também abordou o impacto das comunidades estrangeiras na sociedade portuguesa e o alinhamento do partido com movimentos conservadores que avançam em diversos países da Europa.
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Sistema político e disputa pelo poder
Portugal adota o sistema semipresidencialista, distinto do modelo brasileiro. Nesse formato, o presidente da República atua como chefe de Estado, sem exercer diretamente a chefia do governo. Entre suas atribuições estão o poder de vetar leis aprovadas pelo Parlamento e a possibilidade de dissolver a Assembleia da República em situações específicas.
De acordo com Beninger, André Ventura pretende usar essa chamada “magistratura de influência” para pressionar o Legislativo e fiscalizar a atuação do Executivo, com o objetivo de romper o que considera um domínio político exercido ao longo de cerca de 50 anos.
“Pela primeira vez temos um candidato de enorme competência e coragem, que é o André Ventura, capaz de rasgar de uma vez por todas com este regime que existe há várias décadas em Portugal”, afirmou o deputado.
Beninger acrescentou que a presença de Ventura no segundo turno – chamado em Portugal de “segunda volta” – reflete um sentimento popular de ruptura com o sistema vigente. Ele associou esse movimento a uma tendência observada em países como Hungria, Itália, França e Holanda, onde partidos com pautas voltadas à soberania nacional e a valores conservadores têm ampliado seu espaço político, impulsionados por insatisfação econômica e social.
Imigração no centro do debate das Eleições em Portugal
A política migratória foi apontada como um dos principais eixos da campanha. Segundo Beninger, a população portuguesa chegou a cerca de 11 milhões de habitantes em razão do aumento do fluxo de estrangeiros nos últimos anos. “A comunidade brasileira continua sendo a maior comunidade estrangeira em Portugal, representando cerca de 5% da população. É uma comunidade muito bem-vinda e bem recebida”, afirmou.
Por outro lado, o parlamentar demonstrou preocupação com a imigração oriunda de regiões como o Indostão – que engloba Índia, Paquistão e Bangladesh. Em entrevista, Beninger declarou que o Chega vê dificuldades de integração cultural e religiosa em parte desses grupos e defende maior rigor no controle migratório.
“Não se trata de racismo ou xenofobia. Trata-se da defesa dos nossos valores, da nossa cultura e, acima de tudo, da nossa pátria”, disse.
Segundo ele, o partido defende regras mais rígidas para preservar a identidade cultural e os valores cristãos de Portugal, argumentando que falhas na integração podem gerar impactos sociais e culturais.
Durante a entrevista, também foram citados dados que indicam um aumento expressivo no número de brasileiros que buscaram residência em Portugal desde 2022. Esse fluxo migratório, segundo Beninger, tem impacto direto sobre a economia e aumenta a pressão sobre os serviços públicos, tornando-se um dos temas centrais do debate eleitoral sobre o futuro do país e a preservação de seus costumes.
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