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A percepção de que cuidar das pessoas nas organizações constitui um custo vem sendo gradualmente substituída pela visão de que esse cuidado representa um investimento. Um levantamento da USP, por exemplo, identificou que empresas que adotaram gestão humanizada alcançaram faturamento duas vezes maior que a média das grandes companhias, além de apresentarem 240% mais satisfação entre clientes e 225% mais bem-estar relatado pelos colaboradores.
Mas entre os passos que levam aos bons resultados está um trabalho essencial: o da psicologia organizacional. Conforme explicado por Tatiana Polak, coordenadora de Atração e Desenvolvimento de Talentos do Grupo Positivo, que palestrou no XVIII CONPARH, realizado pela Associação Brasileira de Recursos Humanos do Paraná (ABRH-PR), “é como plantar: cuidar do solo e da semente exige dedicação no início, mas é isso que garante a colheita”, exemplifica.
A psicologia organizacional é uma área que demonstra resultados concretos dessa mudança de perspectiva – seja através de redução de turnover ou taxas de produtividade – entretanto, Tatiana lembra que por trás de cada resultado e de cada indicador de performance, existem pessoas.
Iniciativas e barreiras para a humanização
Na busca pela humanização nas organizações, setores de RH atuam frente à iniciativas que fortalecem a confiança entre líderes e equipes, como programas de feedback contínuo, e projetos de desenvolvimento de gestores com foco em pessoas, que ajudam a disseminar uma cultura de cuidado.
Tatiana também destaca que “processos de integração humanizados, que acolhem o novo colaborador desde o primeiro contato, geram vínculos duradouros. Bem como iniciativas de gestão do clima e espaços de escuta ativa, quando acompanhados de ações concretas, são poderosos instrumentos de humanização”.
Apesar dos avanços, obstáculos ainda são observados. Entre eles está a permanência de mentalidades que associam práticas de cuidado à fragilidade ou à queda de produtividade. Estruturas rígidas e processos pouco flexíveis também dificultam o diálogo.
“Superar essas resistências exige tempo, consistência e a demonstração de que práticas humanizadas não competem com os resultados — elas os potencializam”, afirma Tatiana.
Lideranças intermediárias, responsáveis por traduzir a estratégia em ações cotidianas, muitas vezes também não recebem o preparo necessário. Desta forma, capacitar as lideranças deve ser prioridade na pauta do RH.

Tecnologia e competências humanas
Diante das tecnologias que têm modificado a forma como os negócios operam, competências como empatia, escuta ativa, colaboração e pensamento crítico passam a ser diferenciais importantes.
Do ponto de vista organizacional, a criação de ambientes inclusivos, transparentes e de confiança se torna essencial para sustentar relações saudáveis e duradouras. E cada vez mais, empresas que equilibram a eficiência tecnológica com conexões humanas consistentes tendem a se destacar. “Afinal, no fim do dia, o que sustenta vínculos de longo prazo não é o algoritmo, mas a forma como nos sentimos vistos e respeitados dentro da organização”, observa Tatiana.
