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Por décadas, a Ponte de Guaratuba foi considerada uma das obras mais importantes para o desenvolvimento do Litoral paranaense. A ligação fixa entre Guaratuba e Matinhos era vista como estratégica para a mobilidade, o turismo e a economia da região, mas diferentes fatores impediram que o projeto avançasse ao longo do tempo.
A virada começou a acontecer em 2020, quando uma mudança na legislação estadual abriu caminho para um novo modelo de execução da obra. A alteração, aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná, retirou a obrigatoriedade de concessão à iniciativa privada com cobrança de pedágio e permitiu que o Governo do Paraná assumisse diretamente a construção da ponte com recursos públicos.
A medida acabou se tornando um dos passos mais importantes para transformar em realidade uma obra esperada há mais de quatro décadas pelos paranaenses.
Um entrave que vinha desde a Constituição de 1989
A importância da Ponte de Guaratuba para o Paraná era tamanha que a própria Constituição Estadual já previa sua construção desde 1989, nos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias.

O mesmo texto constitucional, porém, estabelecia que a obra deveria obrigatoriamente ser executada por meio de concessão à iniciativa privada, com cobrança de pedágio por pelo menos 15 anos.
Na prática, o modelo acabou dificultando a viabilização do projeto ao longo do tempo.
Sem consenso financeiro e operacional, diferentes tentativas de tirar a ponte do papel acabaram não avançando.
A mudança que abriu caminho para a obra
O cenário começou a mudar quando deputados estaduais aprovaram a alteração do artigo 36 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Paraná.
A mudança deu liberdade para que o Estado definisse um novo modelo de execução da obra, permitindo que a ponte fosse construída com investimento público direto e sem cobrança de tarifa da população.
Pouco depois, também foi aprovada a Lei 20.267/2020, adequando a legislação estadual ao novo formato adotado pelo Paraná.

A mudança legislativa foi considerada decisiva para destravar o projeto e permitir que o Estado finalmente avançasse com uma das obras mais aguardadas da história recente do Paraná.
Debate permanente sobre o futuro do Litoral
Ao longo dos anos, a discussão sobre a ponte mobilizou diferentes setores da sociedade e ganhou espaço frequente no Legislativo estadual.
O tema passou por debates técnicos, audiências públicas, discussões em plenário e acompanhamentos institucionais durante as etapas de planejamento e execução da obra.
Parlamentares do Litoral e de outras regiões do Estado defenderam a importância estratégica da ligação fixa entre Guaratuba e Matinhos para fortalecer o turismo, estimular investimentos, melhorar a logística regional e ampliar a integração entre os municípios paranaenses.
A travessia por ferry boat, historicamente marcada por filas e limitações operacionais, era apontada como um dos principais obstáculos ao crescimento econômico da região.
Com a nova ponte, a expectativa é de uma transformação na dinâmica do Litoral paranaense, com impactos diretos na mobilidade, no turismo e na geração de empregos.
Papel institucional na viabilização
Além da mudança constitucional que permitiu um novo modelo de execução, a Assembleia Legislativa também teve participação indireta na viabilização financeira da obra ao aprovar instrumentos orçamentários necessários para os investimentos públicos realizados pelo Estado.
O acompanhamento institucional da construção também ocorreu ao longo das diferentes etapas do projeto, consolidando apoio político à obra considerada histórica para o Paraná.

Mais do que acompanhar a execução, a atuação legislativa ajudou a criar as condições legais e administrativas que permitiram transformar uma demanda histórica em realidade.
Após mais de 40 anos de espera, a Ponte de Guaratuba deixa de ser apenas um projeto discutido no papel e passa a representar uma nova etapa de integração e desenvolvimento para o Litoral do Paraná.
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