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A agenda ESG deixou de ser um compromisso institucional para se tornar uma exigência concreta de mercado – especialmente quando o tema são as emissões de Escopo 3, que envolvem toda a cadeia de fornecedores. Nesse cenário, o transporte rodoviário de cargas, principal modal logístico do Brasil, passou a ocupar um papel central – e, muitas vezes, crítico – nos inventários de carbono das empresas.
Isso ocorre porque boa parte das emissões indiretas está diretamente ligada à operação logística, especialmente ao consumo de diesel. Sem visibilidade sobre esses dados, empresas enfrentam dificuldades para mensurar, reportar e, principalmente, reduzir seu impacto ambiental.
O desafio do Escopo 3 e o papel da logística
Para o fundador e CEO da Gestran, Paulo Raymundi, o transporte rodoviário se tornou um dos principais pontos de atenção nas estratégias ESG.
“O transporte rodoviário passou a ser um dos principais desafios porque concentra uma parcela relevante das emissões indiretas das empresas. Como essas emissões estão fora do controle direto do embarcador, a dificuldade está em obter dados confiáveis e padronizados das operações realizadas por terceiros”, explica.

Segundo ele, essa lacuna de informação transforma a logística em um gargalo nos relatórios ambientais. Sem dados consistentes sobre consumo de combustível, rotas e eficiência operacional, torna-se difícil avançar na gestão das emissões.
Dados operacionais como base da sustentabilidade
A resposta para esse desafio passa, necessariamente, pela capacidade de monitorar e interpretar dados da operação. As soluções da Gestran permitem acompanhar indicadores diretamente ligados à eficiência energética da frota, como consumo de combustível por veículo, desempenho por quilômetro rodado, variações de consumo em diferentes rotas, além de indicadores operacionais que impactam diretamente o uso de energia.
Com essas informações organizadas, empresas conseguem identificar padrões de consumo e agir sobre desvios. O monitoramento contínuo da operação permite, por exemplo, detectar desperdícios de combustível, identificar rotas ineficientes e corrigir práticas operacionais que elevam o consumo.
Essa visibilidade transforma a gestão da frota em uma ferramenta ativa de redução de emissões, ao permitir decisões baseadas em dados reais — e não em estimativas.
Eficiência operacional e redução de emissões
A relação entre eficiência e sustentabilidade é direta. Quanto mais eficiente é a operação, menor tende a ser o consumo de combustível – e, consequentemente, menor o volume de emissões.
Nesse contexto, a gestão da manutenção desempenha um papel fundamental. Veículos com manutenção em dia operam em melhores condições, consomem menos combustível e emitem menos poluentes. Da mesma forma, o controle sobre a operação – incluindo planejamento de rotas e monitoramento de desempenho – contribui para evitar desperdícios e melhorar a eficiência energética da frota.
“A gestão tecnológica da frota permite reduzir o consumo de diesel a partir do controle detalhado da operação. Quando a empresa consegue identificar ineficiências e atuar sobre elas, o impacto é direto tanto no custo quanto nas emissões.”
Paulo Raymundi, fundador e CEO da Gestran.
Ganhos operacionais e impacto ambiental
Na prática, empresas que estruturam melhor o controle de consumo e a gestão da frota tendem a observar ganhos relevantes. A redução de desperdícios, a melhoria no desempenho dos veículos e a otimização das rotas contribuem para uma operação mais eficiente e sustentável.
Embora os resultados variem de acordo com o perfil da operação, o avanço está justamente na capacidade de transformar dados dispersos em inteligência operacional – permitindo ações contínuas de melhoria.
Além dos ganhos econômicos, há um benefício crescente: a capacidade de atender às exigências de mercado relacionadas à transparência e à sustentabilidade.
ESG como critério de competitividade
A pressão por dados ambientais já começa a influenciar diretamente as relações comerciais no setor logístico. Empresas que não conseguem comprovar eficiência energética ou fornecer informações sobre suas emissões tendem a perder espaço em cadeias cada vez mais exigentes.
“Essa pressão já está influenciando a escolha de parceiros logísticos. Embarcadores precisam fechar seus inventários de carbono e, para isso, dependem de dados confiáveis da operação. Transportadoras que não conseguem fornecer essas informações acabam ficando em desvantagem competitiva”, destaca o CEO da Gestran.
Esse movimento reforça uma mudança estrutural: sustentabilidade deixa de ser diferencial e passa a ser requisito.
Tecnologia como elo entre eficiência e responsabilidade
Diante desse cenário, a digitalização da gestão de frotas ganha protagonismo. Ao integrar dados, automatizar controles e oferecer visibilidade sobre a operação, a tecnologia permite que empresas avancem simultaneamente em eficiência operacional e responsabilidade ambiental.
Mais do que atender a uma demanda regulatória ou de mercado, trata-se de uma transformação na forma de gerir a logística. A partir de dados concretos, empresas passam a tomar decisões mais precisas, reduzir desperdícios e alinhar suas operações às exigências de um ambiente de negócios cada vez mais orientado por métricas ESG.
No fim, a equação é clara: eficiência reduz custos, reduz consumo e reduz emissões. E, em um cenário em que o Escopo 3 ganha centralidade, a gestão inteligente da frota deixa de ser apenas uma questão operacional para se tornar uma peça-chave na estratégia sustentável das empresas.
