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A operação de transporte é, por natureza, uma geradora contínua de dados. A cada abastecimento realizado, a cada manutenção efetuada, a cada checklist preenchido, a cada quilômetro rodado, informações são registradas. Trata-se de um fluxo permanente, que acompanha todas as etapas da operação – do pátio à estrada, da manutenção ao financeiro.
Ainda assim, um paradoxo persiste no setor: mesmo com uma base rica de dados operacionais, muitas transportadoras continuam tomando decisões com baixa sustentação analítica. O problema, ao contrário do que se costuma imaginar, não está na falta de informação, mas na incapacidade de organizar, cruzar, integrar e interpretar os dados disponíveis.
Segundo Paulo Raymundi, fundador e CEO da Gestran, essa é uma das dificuldades mais comuns na gestão de frotas.
O problema é que esse dado vive em silos: planilha do controler, aplicativo do meio do meio de pagamento, ERP do financeiro, cabeça do gestor...
A fragmentação das informações impede que a operação seja compreendida de forma integrada. Sem essa visão consolidada, o que se perde não é apenas controle – é capacidade de antecipação.
Uma operação que gera dados em todas as frentes
Na prática, a gestão de frotas já produz uma ampla variedade de dados, muitas vezes com alto nível de detalhe. Entre os principais estão:
Manutenção: ordens de serviço, manutenções corretivas, cumprimento de planos preventivos, peças substituídas, tempo de oficina por veículo, histórico de intervenções.
Pneus: aquisição, rodízios, calibragens, medição de sulco, recapagens, análise de custo por quilômetro rodado.
Combustível: negociações de preço com postos, registros de abastecimentos internos e externos, médias de consumo por veículo, custos por km...
Checklist operacional: registro de não conformidades, frequência de falhas por item, tempo médio de execução e recorrência de problemas.
Documentação: controle de vencimentos de CNH, IPVA, licenciamento, ANTT, seguros, exames toxicológicos...
Despesas e financeiro: Demonstrativo de resultado, despesas por unidade de negócio, despesas por veículo, por centro de custo, por filial, por plano gerencial...
Almoxarifado: Compras, controle de entradas e saídas de peças, rastreabilidade de aplicação, controle de estoque mínimo...
Disponibilidade da frota: veículos em operação, parados, em manutenção ou ociosos, taxa de disponibilidade da frota...
O volume e a granularidade dessas informações mostram que, do ponto de vista operacional, a matéria-prima para uma gestão orientada por dados é fundamenta.
Os dados mais valiosos – e menos utilizados
Apesar disso, a experiência da Gestran mostra que alguns dos indicadores mais valiosos e estratégicos continuam sendo pouco explorados pelas empresas, o custo por quilômetro rodado.
Compra de Pneus por exemplo, empresas frequentemente tomam decisões com base no preço de compra sem analisar o custo por quilômetro de acordo com fabricantes, modelos e aplicação de cada pneu.
O mesmo acontece com consumo de combustível. Abastecimentos fora da média padrão dos veículos, negociação de preço com postos...
Também são subutilizados dados como:
- recorrência de falhas apontadas em checklists
- controle antecipado de vencimentos de documentos
- custo operacional por motorista
- proporção entre manutenção preventiva e corretiva
Na prática, esses dados existem, mas não são lidos de forma sistemática.
O custo que não aparece, mas que impacta toda a operação
A consequência dessa subutilização é um conjunto de perdas que raramente aparece de forma explícita nos relatórios financeiros, mas que impacta diretamente o resultado da empresa.
Segundo dados consolidados pela Gestran, operações sem governança estruturada de dados apresentam, de forma recorrente:
- até 25% de gasto adicional com pneus, devido à troca antecipada, falta de manutenção e à falta de controle de vida útil,
- até 20% de aumento nos custos de manutenção, especialmente pela predominância de intervenções corretivas pela falta de preventiva,
- até 30% mais paradas não planejadas, com impacto direto em prazos e produtividade
- cerca de 5% de desperdício de combustível, causado por desvios não identificados.
A isso se somam custos indiretos, como retrabalho administrativo, compras desnecessárias, baixa produtividade da equipe e ociosidade de ativos.
“O impacto é silencioso e cumulativo. É um custo que não aparece como linha na DRE, mas está distribuído na operação. E é justamente isso que o torna perigoso: quem não mede, não vê”, afirma Raymundi.
Quando os dados mostram a operação real
A diferença começa a aparecer quando as empresas estruturam seus dados e passam a analisá-los de forma integrada. Nesse momento, segundo o CEO da Gestran, a percepção da operação muda.
“Quando o dado é organizado e cruzado, surge a operação real – que muitas vezes é diferente da operação percebida.”
Paulo Raymundi - fundador e CEO da Gestran
Entre os exemplos mais comuns estão:
- veículos com custo muito superior ao esperado
- marcas de pneus mais caras na compra, mas mais baratas no longo prazo
- motoristas com consumo sistematicamente acima da média
- falhas recorrentes que indicam problemas não resolvidos
- impacto direto de decisões operacionais no resultado financeiro
Esse nível de leitura transforma o papel do gestor.
“O gestor de frota deixa de ser visto como ‘o cara dos caminhões’ e passa a ser tratado como gestor de um centro de resultado”, diz Paulo Raymundi.
Transformar dado em decisão: o papel da tecnologia
Para que isso aconteça, é necessário estruturar a gestão em três pilares: captura padronizada, centralização e inteligência.
A abordagem da Gestran segue esse modelo. O primeiro passo é garantir que o dado seja inserido de forma padronizada já na origem – por meio de aplicativos operacionais, leitura automatizada de documentos fiscais e integração com sistemas existentes.
Em seguida, as informações são centralizadas em uma única plataforma, permitindo que diferentes áreas da operação – combustível, manutenção, pneus, almoxarifado e financeiro – compartilhem a mesma base de dados.
Por fim, entram os indicadores gerenciais, apresentados em dashboards e ferramentas de BI que permitem acompanhamento contínuo da operação.
Decisões que deixam de ser subjetivas
Com essa estrutura, decisões estratégicas passam a ser orientadas por evidências concretas. Entre as principais aplicações estão:
- custo real do quilometro rodado
- definição do momento ideal de renovação da frota
- escolha mais eficiente de fabricantes de pneus
- avaliação entre oficina interna e terceirização
- negociação com postos de combustível
- dimensionamento correto da frota
- justificativa técnica para investimentos
Essas decisões deixam de depender de percepção e passam a refletir o comportamento real da operação.
O desafio vai além da tecnologia
Apesar dos avanços, estruturar essa governança ainda é um desafio. Entre os principais obstáculos estão a falta de padronização na entrada dos dados, a baixa integração entre sistemas e a confiabilidade de informações básicas, como o odômetro.
Outro ponto crítico é a cultura organizacional. Em muitos casos, mesmo com acesso a indicadores, as decisões continuam sendo tomadas com base em experiência ou intuição.
O valor está no uso — não no volume
A evolução da gestão de frotas não passa mais pela geração de dados – isso já é realidade. O diferencial competitivo está na capacidade de transformar esse volume em análise e ação.
No fim, a constatação é direta: as transportadoras já têm os dados de que precisam. O que define quem ganha eficiência – e quem perde margem – é a capacidade de utilizá-los.
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