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O dado que as transportadoras têm, mas não usam (e quanto isso custa)

Empresas geram um volume massivo de informações operacionais, mas a falta de estrutura para transformar esses dados em decisão ainda gera perdas relevantes e silenciosas.

Tecnologia e análise de dados vêm transformando a gestão de frotas, permitindo que transportadoras reduzam custos, aumentem a eficiência operacional e tomem decisões mais estratégicas.
Tecnologia e análise de dados vêm transformando a gestão de frotas, permitindo que transportadoras reduzam custos, aumentem a eficiência operacional e tomem decisões mais estratégicas. (Foto: imagem gerada Chatgpt/gazeta do povo)

Gestran

18/05/2026 às 17:01

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A operação de transporte é, por natureza, uma geradora contínua de dados. A cada abastecimento realizado, a cada manutenção efetuada, a cada checklist preenchido, a cada quilômetro rodado, informações são registradas. Trata-se de um fluxo permanente, que acompanha todas as etapas da operação – do pátio à estrada, da manutenção ao financeiro.

Ainda assim, um paradoxo persiste no setor: mesmo com uma base rica de dados operacionais, muitas transportadoras continuam tomando decisões com baixa sustentação analítica. O problema, ao contrário do que se costuma imaginar, não está na falta de informação, mas na incapacidade de organizar, cruzar, integrar e interpretar os dados disponíveis.

Segundo Paulo Raymundi, fundador e CEO da Gestran, essa é uma das dificuldades mais comuns na gestão de frotas.

O problema é que esse dado vive em silos: planilha do controler, aplicativo do meio do meio de pagamento, ERP do financeiro, cabeça do gestor...

A fragmentação das informações impede que a operação seja compreendida de forma integrada. Sem essa visão consolidada, o que se perde não é apenas controle – é capacidade de antecipação.

Uma operação que gera dados em todas as frentes

Na prática, a gestão de frotas já produz uma ampla variedade de dados, muitas vezes com alto nível de detalhe. Entre os principais estão:

Manutenção: ordens de serviço, manutenções corretivas, cumprimento de planos preventivos, peças substituídas, tempo de oficina por veículo, histórico de intervenções.

Pneus: aquisição, rodízios, calibragens, medição de sulco, recapagens, análise de custo por quilômetro rodado.

Combustível: negociações de preço com postos, registros de abastecimentos internos e externos, médias de consumo por veículo, custos por km...

Checklist operacional: registro de não conformidades, frequência de falhas por item, tempo médio de execução e recorrência de problemas.

Documentação: controle de vencimentos de CNH, IPVA, licenciamento, ANTT, seguros, exames toxicológicos...

Despesas e financeiro: Demonstrativo de resultado, despesas por unidade de negócio, despesas por veículo, por centro de custo, por filial, por plano gerencial...

Almoxarifado: Compras, controle de entradas e saídas de peças, rastreabilidade de aplicação, controle de estoque mínimo...

Disponibilidade da frota: veículos em operação, parados, em manutenção ou ociosos, taxa de disponibilidade da frota...

O volume e a granularidade dessas informações mostram que, do ponto de vista operacional, a matéria-prima para uma gestão orientada por dados é fundamenta.

Os dados mais valiosos – e menos utilizados

Apesar disso, a experiência da Gestran mostra que alguns dos indicadores mais valiosos e estratégicos continuam sendo pouco explorados pelas empresas, o custo por quilômetro rodado.

Compra de Pneus por exemplo, empresas frequentemente tomam decisões com base no preço de compra sem analisar o custo por quilômetro de acordo com fabricantes, modelos e aplicação de cada pneu.

O mesmo acontece com consumo de combustível. Abastecimentos fora da média padrão dos veículos, negociação de preço com postos...

Também são subutilizados dados como:

  • recorrência de falhas apontadas em checklists
  • controle antecipado de vencimentos de documentos
  • custo operacional por motorista
  • proporção entre manutenção preventiva e corretiva

Na prática, esses dados existem, mas não são lidos de forma sistemática.

O custo que não aparece, mas que impacta toda a operação

A consequência dessa subutilização é um conjunto de perdas que raramente aparece de forma explícita nos relatórios financeiros, mas que impacta diretamente o resultado da empresa.

Segundo dados consolidados pela Gestran, operações sem governança estruturada de dados apresentam, de forma recorrente:

  • até 25% de gasto adicional com pneus, devido à troca antecipada, falta de manutenção e à falta de controle de vida útil,
  • até 20% de aumento nos custos de manutenção, especialmente pela predominância de intervenções corretivas pela falta de preventiva,
  • até 30% mais paradas não planejadas, com impacto direto em prazos e produtividade
  • cerca de 5% de desperdício de combustível, causado por desvios não identificados.

A isso se somam custos indiretos, como retrabalho administrativo, compras desnecessárias, baixa produtividade da equipe e ociosidade de ativos.

“O impacto é silencioso e cumulativo. É um custo que não aparece como linha na DRE, mas está distribuído na operação. E é justamente isso que o torna perigoso: quem não mede, não vê”, afirma Raymundi.

Quando os dados mostram a operação real

A diferença começa a aparecer quando as empresas estruturam seus dados e passam a analisá-los de forma integrada. Nesse momento, segundo o CEO da Gestran, a percepção da operação muda.

“Quando o dado é organizado e cruzado, surge a operação real – que muitas vezes é diferente da operação percebida.”

Paulo Raymundi - fundador e CEO da Gestran

Entre os exemplos mais comuns estão:

  • veículos com custo muito superior ao esperado
  • marcas de pneus mais caras na compra, mas mais baratas no longo prazo
  • motoristas com consumo sistematicamente acima da média
  • falhas recorrentes que indicam problemas não resolvidos
  • impacto direto de decisões operacionais no resultado financeiro

Esse nível de leitura transforma o papel do gestor.

“O gestor de frota deixa de ser visto como ‘o cara dos caminhões’ e passa a ser tratado como gestor de um centro de resultado”, diz Paulo Raymundi.

Transformar dado em decisão: o papel da tecnologia

Para que isso aconteça, é necessário estruturar a gestão em três pilares: captura padronizada, centralização e inteligência.

A abordagem da Gestran segue esse modelo. O primeiro passo é garantir que o dado seja inserido de forma padronizada já na origem – por meio de aplicativos operacionais, leitura automatizada de documentos fiscais e integração com sistemas existentes.

Em seguida, as informações são centralizadas em uma única plataforma, permitindo que diferentes áreas da operação – combustível, manutenção, pneus, almoxarifado e financeiro – compartilhem a mesma base de dados.

Por fim, entram os indicadores gerenciais, apresentados em dashboards e ferramentas de BI que permitem acompanhamento contínuo da operação.

Decisões que deixam de ser subjetivas

Com essa estrutura, decisões estratégicas passam a ser orientadas por evidências concretas. Entre as principais aplicações estão:

  • custo real do quilometro rodado
  • definição do momento ideal de renovação da frota
  • escolha mais eficiente de fabricantes de pneus
  • avaliação entre oficina interna e terceirização
  • negociação com postos de combustível
  • dimensionamento correto da frota
  • justificativa técnica para investimentos

Essas decisões deixam de depender de percepção e passam a refletir o comportamento real da operação.

O desafio vai além da tecnologia

Apesar dos avanços, estruturar essa governança ainda é um desafio. Entre os principais obstáculos estão a falta de padronização na entrada dos dados, a baixa integração entre sistemas e a confiabilidade de informações básicas, como o odômetro.

Outro ponto crítico é a cultura organizacional. Em muitos casos, mesmo com acesso a indicadores, as decisões continuam sendo tomadas com base em experiência ou intuição.

O valor está no uso — não no volume

A evolução da gestão de frotas não passa mais pela geração de dados – isso já é realidade. O diferencial competitivo está na capacidade de transformar esse volume em análise e ação.

No fim, a constatação é direta: as transportadoras já têm os dados de que precisam. O que define quem ganha eficiência – e quem perde margem – é a capacidade de utilizá-los.

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