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Liderar é autoconhecimento, conexão, aceitar que não sabe tudo e estar em constante abertura para o novo.
Liderar é autoconhecimento, conexão, aceitar que não sabe tudo e estar em constante abertura para o novo.| Foto: Bigstock
  • Por Instituto Connect Texto de Giovana Punhagui
  • 17/05/2021 10:59

Piazza chegou em nosso encontro do Instituto Connect virando nosso mundo da liderança de cabeça para baixo. O “choque do futuro” que, como ele mesmo disse, “traz uma desorientação estonteante”, com certeza chacoalhou os pensamentos de todos nós, líderes ávidos por novas conexões, trocas de experiências, busca por sermos melhores, deixarmos um legado, encontrarmos nosso propósito. Propósito este que, nas palavras de Piazza, é um dos androrítimos fundamentais para a nova liderança.

No início, nos deparamos com um contexto de aceleração exponencial da tecnologia, impactando o tempo, o estilo de vida, a economia. A transformação se mostra tão rápida e constante que a nossa forma de pensar precisará ser ajustada de modo mais recorrente. Vamos precisar reorganizar o nosso jeito de lidar com o conhecimento, em busca de maior agilidade em se adaptar, lidar com o imprevisível, resolver desafios complexos. O caos impulsionado pela evolução da tecnologia nos exige desenvolver a característica do antifrágil: há fatores externos e inesperados que vão exigir maior flexibilidade e adaptabilidade. Eles estão aí e não teremos escapatória.

Diante da explicação do caos, Piazza nos dá o real “foresight” do que nos espera (ou será que é do que já está passando e precisamos correr para alcançar?): os Rs do customer life time value agora são outros. Return on Trust traz a importância da confiança nas novas bases do contexto social e do mundo do trabalho, bem como Return on Experience e Return on error, que acentuam, respectivamente, a experiência que o produto e/ou serviço promove nas pessoas e a disposição em errar (e errar rápido) na busca do acerto.

Isto porque a relação de consumo está mudando, a chave agora não é o produto em si, mas a experiência que ele te traz e a razão pela qual o consumidor a compra. Além disso, acabamos nos tornando o próprio produto nessa avalanche das redes sociais e de dados, a chamada “economia da atenção”, promovendo monetização com nossas informações pessoais para aumento de consumo.

E o papel do líder nisso tudo? É aí que os tais dos estóicos entram em ação: “transformam o medo em prudência, a dor na transformação, os erros em iniciação e os desejos em empreendedorismo”. O líder das adaptações, da flexibilização, das relações humanas... o líder do futuro. Piazza entrelaça as características deste líder com o conceito da polimatia e lifelong learning. O profissional do futuro, o líder polímata, está aberto ao novo com visão crítica, tem caráter forte e visão ampla, exercita a agilidade mental e a empatia cognitiva.

Ele cria uma organização sólida de aprendizagem por meio do estabelecimento de novos pensamentos, quebrando barreiras, fortalecendo a comunicação aberta, compartilhando a visão. É adaptativo, conectado às novas tecnologias, e tem grande senso de propósito. É um lifelong learner antenado no futuro do trabalho e na fusão da economia com o mundo digital que a terceira modernidade nos traz. Trabalha os androrítimos de forma cuidadosa: curiosidade, foresight, pensamento crítico, imaginação, paixão e propósito. Coloca diversidade, equidade de gênero e ESG, por exemplo, na pauta do planejamento estratégico e preocupa-se com a cultura de aprendizagem das pessoas de sua empresa. Uau, esse líder é top.

É, Piazza, você nos virou de cabeça pra baixo, chacoalhou nossos pensamentos e nos fez refletir exaustivamente sobre nosso papel de liderança neste mundo em plena transição. O caos se instalou em nossas mentes polímatas. Nos faz pensar nas competências que podemos adquirir enquanto líderes deste presente-futuro, nas que podemos reforçar enquanto fortalezas já reconstruídas, e nas que podemos ensinar com nossa experiência.

O que fica para nós neste momento é intenso: liderar é se autoconhecer, é conectar experiências, é saber que não se sabe tudo – que a única certeza que temos é de que será imprevisível, mas estar em constante abertura para o novo e aprender com ele, e adaptar-se, planejar foresights para antecipar mudanças. É inspirar pessoas, torná-las mais humanas, mais abertas ao incerto e ajudar no processo de desenvolver agentes de mudança. O líder do futuro está pronto para o que não é linear ou compreensível, com uma vontade enorme de conectar, exponencializar resultados e impactar socialmente. Quer deixar um legado nesta jornada inacabada de desenvolvimento.

*Giovana Punhagui é gerente executiva de educação do Sistema Fiep, responsável pela gestão dos produtos de educação básica, qualificação profissional e ensino superior do Sesi, Senai e IEL/PR

Sobre a Confraria do Desenvolvimento

A Confraria do Desenvolvimento, promovida pelo Instituto Connect, é um espaço para conexão de executivos de vários segmentos, estados e países, onde é possível evoluir cocriando trilhas de aprendizagens e caminhando em uma jornada de networking, experiências e responsabilidade social.