A epidemia silenciosa que atinge a todos
Por muito tempo, o burnout foi associado exclusivamente ao excesso de trabalho. No entanto, o esgotamento emocional (exaustão mental) observado hoje ultrapassa contextos profissionais. Ele atinge pais sobrecarregados, estudantes pressionados por metas, trabalhadores autônomos sem fronteiras entre descanso e atividade e até pessoas cujas rotinas não parecem justificá-lo.

A exaustão mental tem se consolidado como um fenômeno silencioso, corroendo estabilidade emocional e prejudicando a percepção do próprio ritmo. O psicólogo Renan Gallo explica como esse desgaste vai além do cansaço comum e quais caminhos podem ajudar na recuperação do equilíbrio emocional.
Os sinais de exaustão que quase ninguém leva a sério
Muitos confundem exaustão com simples vontade de descansar, mas seus sinais são profundos. Tarefas cotidianas começam a exigir esforço desproporcional. Ler um livro, manter uma conversa ou assistir a um filme se torna mais difícil.
A irritabilidade cresce. Ruídos, imprevistos e interrupções ganham peso emocional. O corpo responde com dores tensionais, desconfortos gastrointestinais e insônia marcada por pensamentos acelerados.
Ignorar esses sinais é seguir viagem com o tanque vazio, apostando que o motor não vai falhar.
O custo alto do modo “Piloto Automático”
Segundo o psicólogo, o esgotamento emocional atual não nasce somente da carga de trabalho, mas do estilo de vida contemporâneo. O cérebro é bombardeado por microdecisões constantes: responder ou não uma mensagem, verificar notificações, escolher tarefas, consumir conteúdos.
Esse excesso gera fadiga de decisão e leva a um funcionamento superficial. A rotina é cumprida, mas sem presença. O dia avança, mas sem intenção. O modo automático parece econômico — mas drena energia emocional.
Estratégias de recuperação: como recarregar a energia mental
A recuperação não depende de grandes mudanças, mas de pequenas práticas consistentes. Micro-pausas intencionais ao longo do dia fazem diferença real. Não são pausas de tela: substituir o computador pelo celular mantém a mente ativa.
Descanso restaurador envolve silêncio, movimento, respiração e percepção do ambiente. Reduzir o excesso de informações também ajuda: diminuir o volume de notícias e notificações devolve clareza ao pensamento.
Entrevista exclusiva com psicólogo Renan Gallo
Pergunta: O esgotamento mental é real mesmo para quem sente que não tem “motivos suficientes” para estar cansado?
O psicólogo responde: Sim. A exaustão não segue a lógica do merecimento. O cérebro não distingue se a demanda vem do trabalho ou de cuidados familiares; ele responde ao volume e à imprevisibilidade. Validar o cansaço é essencial.
Pergunta: Qual o primeiro passo para quem percebe que está no piloto automático?
Ele orienta: Recuperar intencionalidade. Uma prática simples é o “Minuto de Presença”: durante uma atividade simples, dedicar sessenta segundos à percepção de sons, texturas e movimentos. Pequenas interrupções no automatismo ajudam a reorganizar o ritmo mental.
Não deixe o cansaço virar colapso
Exaustão mental é um sinal de que limites foram ultrapassados. Reconhecer que não se trata de fraqueza, mas de resposta do organismo, é o primeiro passo. Irritabilidade persistente, insônia e fadiga de decisão merecem atenção — e podem ser discutidos com um psicólogo de confiança.
Aviso
Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação psicológica individualizada.
Se os sintomas persistirem, procure um psicólogo registrado no Conselho Regional de Psicologia.

