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Aka Charlie Sheen, documentário em dois capítulos lançado este mês na Netflix, é um panorama íntimo e controverso da vida do ator Charlie Sheen. A produção explora as polêmicas e traz revelações pessoais do astro de Hollywood, com o próprio Sheen falando com franqueza sobre infância, sucessos, vícios, relacionamentos e, sobretudo, sobre o processo de recuperação que afirma estar vivendo.
O “aka” do título é uma abreviação de “also known as” (“também conhecido como”). A produção acompanha a trajetória do americano desde os primeiros anos em Malibu, crescendo sob o peso da fama de seu pai, o também ator Martin Sheen. Dirigido por Andrew Renzi, o documentário combina depoimentos de Charlie com entrevistas de ex-esposas, amigos, colegas de trabalho e pessoas (incluindo um traficante e uma cafetina) que testemunharam os bastidores de sua carreira e vida pública.
Sheen conquistou o estrelato no cinema com filmes como Platoon e Wall Street, antes de alcançar enorme popularidade na televisão com o sucesso de Two and a Half Men. No documentário, o ator relembra não apenas os marcos de sua trajetória, mas também os episódios sombrios que estamparam manchetes: abuso de drogas, problemas legais, comportamentos extremos, o diagnóstico de HIV, etc.
Filho, pai, amigo
Aka Charlie Sheen dá voz às várias facetas do ator: o filho, o pai, o astro, o dependente químico e o homem em busca de recuperação. Um dos pontos fortes é justamente a sinceridade com que, aos 60 anos, Sheen confronta o passado. Há confissões de consumo intenso de substâncias ilícitas, histórias bizarras (como o hábito de usar cubos de gelo de formas inusitadas para se manter acordado) e denúncias de que teria pago para evitar a divulgação de sua condição de saúde.

Essas revelações, ainda que controversas, reforçam a sensação de que o documentário procura expor os custos reais da fama e da autodestruição. Outro aspecto marcante é o contraste entre a exposição pessoal de Sheen e os relatos de quem conviveu com ele, como as ex-esposas Denise Richards e Brooke Mueller, o ator Jon Cryer, seu colega de Two and a Half Men, e o criador da série, Chuck Lorre. Os depoimentos ajudam a dimensionar como os excessos do ator repercutiram na vida de pessoas próximas.
Martin Sheen, pai de Charlie, aparece como uma figura central para compreender a formação e as contradições do filho. Consagrado em Hollywood, protagonista do clássico do cinema Apocalypse Now e da série de TV The West Wing, Martin projetou uma imagem pública de solidez profissional, contrastando com o comportamento errático de Charlie. O pai e Emilio Esteves, irmão de Sheen e também figura do cinema, não aceitaram dar entrevistas ao filme, mas apoiaram a realização.
Obra não faz do astro vítima, muito menos herói
O documentário não apresenta Sheen como vítima. Nem como herói. Ele surge como alguém que precisa dar explicações e está disposto a oferecer respostas. Aka Charlie Sheen constrói, assim, um retrato menos mitificado e mais humano, mostrando o ator para além das caricaturas midiáticas. O tom é bastante sóbrio, quase sem espaço para autopiedade ou melodrama.
No conjunto, Aka Charlie Sheen filme é uma reflexão sobre a natureza da celebridade contemporânea. Mostra como o público participa da criação do mito, como falhas pessoais se transformam em escândalos e como o tempo pode tanto corroer quanto redefinir um legado. Certas passagens podem ser perturbadoras, mas funcionam como convite a pensar sobre responsabilidade individual, as consequências de escolhas e o valor da sobriedade em meio à exposição pública.
- Aka Charlie Sheen
- 2025
- 2 episódios (181 minutos)
- Indicado para maiores de 16 anos
- Disponível na Netflix
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