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Transporte e tecnologia

Curitiba 2050: futuro com inovação, mobilidade e qualidade de vida

Ônibus elétrico circula em Curitiba
Ônibus elétrico circula em Curitiba (Foto: Maicon J. Gomes/Gazeta do Povo)

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Manter Curitiba até 2050 como referência em sustentabilidade, qualidade de vida e inovação urbana. Quem aponta esse caminho é Thomaz Ramalho, diretor de planejamento do Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba) e coordenador geral da revisão do plano diretor de Curitiba. Curitiba foi pioneira entre as cidades do Brasil com plano diretor, ainda na década de 1960. Essa revisão é prevista no Estatuto da Cidade, acontece a cada dez anos, e isso permite que com regularidade as escolhas do passado junto da análise do presente, resultem em uma perspectiva próspera para o futuro.

As escolhas do passado fazem com que Curitiba seja vista já há algum tempo como uma cidade com ótima qualidade de vida. Essa característica atrai novos moradores, o que resulta na necessidade de olhar cada vez com mais atenção para a maneira com a qual esse migrante reside, se locomove e gera renda.

“Temos que ver como o plano diretor está lidando com as questões do transporte público, da mobilidade ativa e da promoção de uma equidade de acesso à população. Se percebe que aqueles que estão em áreas periféricas ainda precisam se deslocar muito porque existe uma concentração de emprego e serviços especializados nas regiões centrais”, comenta André Turbay, doutor em Gestão Urbana, e professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

“É fundamental a gente conectar a periferia porque precisamos trazer novamente gente para o transporte público”, diz Thomaz Ramalho, ao citar que a visão de futuro da prefeitura de Curitiba e do Ippuc olha muito para a história. Um exemplo é a linha Circular Sul, criada em 1999, e que buscava atender, à época, 100 mil passageiros/dia.

“O Circular Sul é fundamental para a Rede Integrada de Transporte. E é imprescindível levar a Rede Integrada para outros bairros periféricos. Quando a gente tem estruturado nossa visão de futuro, a gente pensa um Circular Oeste, que conecte CIC Norte e CIC Sul e um Circular Leste que conecte o Boqueirão à Linha Verde e atravesse o Linhão do Emprego”, explica o diretor de planejamento do Ippuc.

A busca por um futuro com circulação urbana mais sustentável passa, além da estruturação de meios para atender ao deslocamento da população periférica, pela mobilidade ativa. Thomaz reforça a necessidade de pensar a mobilidade como serviço e integrar a ciclomobilidade, o transporte coletivo e o automóvel.

“Desde 2014 já se pensa isso, com o exemplo de terminais como o do bairro Tatuquara que tem um grande estacionamento ao lado. Para o futuro, quem sabe o desconto progressivo em estacionamento para quem leva não só ele, mas outros passageiros consigo; aumentar o valor de estacionamento nas regiões mais centrais ou criar uma lógica de que a pessoa estacione em áreas mais periféricas e utilize um Circular Centro”, diz.

“O padrão de mobilidade tem mudado. As pessoas poderiam estacionar em shoppings, por exemplo, que estão com estacionamentos mais vazios, e transitar pelo centro da cidade em ônibus elétrico, com bicicleta ou à pé – o que requer deixar algumas ruas centrais mais atraentes ao pedestre com alargamento de calçadas, iluminação e segurança”, avalia.

Transporte público eletrificado, qualidade de vida e meio ambiente

Imagem do corpo da matériaNovo ônibus elétrico circulando em Curitiba. Foto: Maicon J. Gomes

Outro ponto da mobilidade da cidade diz respeito à eletrificação da frota com vistas ao cuidado com o meio ambiente. O número de carros elétricos e híbridos vistos no trânsito curitibano tem aumentado consideravelmente, e também os ônibus do transporte público têm entrado nesse caminho.

De acordo com a Urbanização de Curitiba (Urbs), órgão responsável pelo transporte público na cidade, a nova concessão no setor prevê a incorporação de 245 ônibus elétricos nos primeiros cinco anos do novo contrato, além da construção de eletropostos públicos para abastecimento e manutenção da frota.

“O ganho principal dessa nova tecnologia para o transporte coletivo é na redução de emissão de gases de efeito estufa. Hoje Curitiba tem praticamente 70% das emissões a partir do transporte, especialmente dos automóveis, porque somos a metrópole com mais carros por habitante no país”, comenta o professor André Turbay. “Então essa eletrificação precisa vir também acompanhada de políticas públicas de consciência, que incentivem mais o uso do transporte público e à mobilidade ativa”, salienta.

Beto Marcelino, sócio da ICiTies, hub de negócios em smart cities e responsável pela organização do Smart City Expo, aponta que os “hibribus”, que utilizam biodiesel e motor elétrico e os totalmente elétricos são uma tendência. “Uma frota de fato ‘zero emissão’ poluiria muito menos as margens das canaletas onde as pessoas moram. Inclusive, toda a verticalização é feita através desses eixos, e é claro que menos poluição significa mais saúde pulmonar para quem mora próximo a esses eixos de transporte público”.

Segundo a URBS, os veículos da nova concessão são zero emissão, com conforto térmico (ar-condicionado) e sem ruídos. O investimento total estimado é de R$ 1,5 bilhão, valor que engloba a renovação da frota, infraestrutura de recarga e adequações operacionais. “Assim Curitiba reforça o compromisso com a redução das emissões, melhoria da qualidade do ar e do transporte público”, diz Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbs.

A perspectiva é de que os novos ônibus aumentem em 3,5% a frota de ônibus do transporte coletivo e de 5,4% na quantidade de lugares ofertados. A intenção é reduzir a lotação das viagens, especialmente nas linhas de maior demanda e também diminuir o tempo de espera. A expectativa, conforme analisa o presidente da Urbs, é de que as mudanças levem mais passageiros para o transporte coletivo, cerca de 570 mil novos usuários por mês”

A mobilidade sustentável faz parte, inclusive, do Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas de Curitiba. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente (SMMA) o plano reúne metas, diretrizes e ações voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa, ao fortalecimento da resiliência urbana e à promoção de um modelo de desenvolvimento sustentável.

Um olhar para a sustentabilidade urbana para além do transporte público

A estratégia da revisão do plano diretor é também pulverizar as obras na cidade. Semelhante ao símbolo que é até hoje o calçadão da Rua XV, busca-se observar em outras regiões a possibilidade de ruas que se transformem em espaço apenas para pedestres. No fim de março, por exemplo, ocorreu a inauguração de um calçadão na regional Cajuru, especificamente no bairro Centenário, com duas quadras que priorizam a circulação dos pedestres.

“A rua Izaac Ferreira da Cruz, na regional Bairro Novo, é outra que é propícia para se pensar não como um binário tradicional, mas para se ter a Rua das Flores como exemplo. Melhorando inclusive a economia local”, explica Thomaz Ramalho.

Esse fomento à economia nas regionais é outro ponto de atenção do plano diretor e tem vistas à criação de eixos de sustentabilidade urbana com polos gastronômicos, hoteleiros e culturais, sendo alguns deles na região central; polos de logística, na Cidade Industrial, e polo de inovação, a exemplo da região do Rebouças com o Vale do Pinhão.

“É extrapolar para várias dimensões da sustentabilidade como quem sabe um eixo de vulnerabilidade socioespacial, lidando com isso ao ter um conjunto de ações assistenciais, mas também de desenvolvimento de porta de saída”, afirma o presidente de planejamento do Ippuc.

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