
O céu sempre atraiu os olhares do catarinense Adil Calomeno. Desde criança tinha uma certeza: iria voar. A aviação o atraiu antes mesmo de ver o primeiro avião pessoalmente. Quando garoto, seus brinquedos favoritos eram aviões construídos com talos de couve.
Teve ainda mais certeza do sonho aos 19 anos, quando viu bem de perto o primeiro avião. Era um “teco-teco” que pousava semanalmente nas fazendas vizinhas à escola de Adil, na cidade de Caçador, em Santa Catarina. A oportunidade que faltava para Adil tirar os pés do chão veio em um concurso escolar. O diretor da escola e o piloto premiavam os melhores alunos com voos pela cidade. Dedicou-se aos estudos como ninguém para figurar sempre entre os melhores e ter “lugar cativo” na aeronave.
Um ano depois dos primeiros voos com o teco-teco, mudou-se para Curitiba já com um plano determinado: seria piloto de avião. Em um ano de estudo, tornou-se piloto privado e passou a transportar empresários, religiosos e turistas pelo interior do Paraná e de Santa Catarina. Neste mesmo período, conheceu Jurema -- sua futura esposa. A aviação também o ajudou na conquista. Para chamar a atenção da moça, dava voos rasantes sobre a casa dela.
Junto com a formação de piloto, Adil estudou Física e Engenharia Civil na Universidade Federal do Paraná. Formado, passou a assumir o magistério como profissão, deixando a aviação como um grande hobby. Lecionou matemática em escolas de Curitiba e mais tarde física em escolas e faculdades da catarinense Joinville -- onde também foi dos fundadores e diretor da Faculdade de Engenharia de Joinville. Lecionou física em Paranaguá e técnicas do voo no Aeroclube do Paraná -- instituição em que se tornou presidente.
Como engenheiro civil, Adil teve grande destaque na construção de igrejas. Era conhecido por fugir do padrão. Grandes entradas e linhas arredondadas eram suas marcas registradas. Ajudou a construir o Santuário Nossa Senhora de Guadalupe e a Paróquia Divino Espirito Santo, em Curitiba. Em Joinville, construiu a Paróquia de Santo Antônio e de São Judas Tadeu. Aos 50 anos, passou em primeiro lugar no concurso público do Banco Regional do Extremo Sul – BRDE. Atuou no banco por mais 15 anos como engenheiro civil. Aposentou-se aos 65 anos. A família também era muito presente na vida de Adil. No almoço de domingo, reunia todos ao redor da mesa para comer e principalmente conversar.
Em meio a todas suas atividades, também teve tempo para escrever e se comunicar pelo rádio amador. Foi autor de três livros, todos sobre aviões. Pelo rádio, Adil era um revolucionário. Comunica-se com todas as partes do mundo muito antes da existência da internet. Recebia pessoas que queriam conversar com familiares em outro estado ou país. “Marcava-se a hora e pelos códigos ficava ‘na escuta’. Assim se davam as conversas durante muitas madrugadas”, conta a filha Denise. Em uma dessas escutas, Adil evitou um naufrágio ao avisar a marinha sobre uma tripulação que estava perdida no oceano.
Com a calma exigida de um bom piloto, Adil escreveu: “(...) já na reta final, com o trem baixado e travado aguardo instruções para o pouso final. (...) a vida é uma contagem regressiva, da qual não sabemos em que números estamos”. O engenheiro faleceu de uma sepse urinária. Deixa a esposa Jurema, os filhos Daisy, Denise, Débora Lúcia e Adil Junior e os dez netos.







