
Os números sempre fizeram parte da vida de Afonso Sochodolak. O primeiro emprego foi em um escritório de contabilidade em Ivaiporã, no Norte do Paraná, após deixar Prudentópolis, município onde nasceu, na região central. A oportunidade plantou no coração do jovem, de origem ucraniana, o desejo de se tornar contador.
O primeiro passo foi ingressar na faculdade de Contabilidade. Mesma época em que assumiu uma vaga de caixa em uma agência bancária da cidade. O saldo positivo no campo profissional contrastava com dilemas na vida pessoal. Namorava há anos, mas acabou se apaixonando por Rita -- uma amiga dessa antiga namorada -- em uma ida ao cinema.
Após meses subtraindo um sentimento e multiplicando outro, os dois começaram a namorar. Para alegria deles, Rita também conseguiu uma vaga no mesmo banco em que Afonso trabalhava. Cada vez mais próximos, os dois começaram a fazer planos.
A fórmula do namoro perfeito teve de ser recalculada quando ela foi transferida para uma agência em Apucarana, distante mais de 100 quilômetros. Um ano mais tarde, a bancária seguiu para Curitiba e permaneceu na capital por três anos, onde se formou em Letras. Ainda em Ivaiporã, Afonso engatou o curso de Direito. Após quatro anos de relacionamento, grande parte a distância, Rita retornou para a cidade natal.
Tempos depois, em uma viagem rápida à capital paranaense, casou-se com o namorado em uma cerimônia discreta e sem a presença da família. “Não queríamos festa, compramos uma casa e decidimos nos casar de uma hora para a outra. A mãe dele falou que só ia abençoar nossa união se o casamento fosse perante o padre. Para não contrariá-la, nos casamos na igreja seis meses depois”, conta Rita Maria Costa Sochodolak.
Meio ano depois, o casal já aguardava a primeira filha. Com a família crescendo, Afonso calculava mais ainda as finanças da casa. Decidiu que era hora de investir no próprio negócio e comprou o escritório de contabilidade onde havia conseguido o primeiro emprego. Outros três filhos nasceram. A dedicação com o ofício garantiu estabilidade à família. O patriarca investiu em propriedades rurais e descobriu uma nova paixão: multiplicar as cabeças de gado no pasto.
“Ele trabalhava muito, mas se esforçava para ter uma vida leve. Era muito brincalhão. Eu sempre disse que tinha cinco crianças em casa e ele era o mais terrível”, relembra a esposa.
Em agradecimento a tudo o que conseguiu na vida, Afonso nunca mediu esforços para ajudar quem precisava, garante Rita. As carteiras de trabalho de muitos jovens na cidade receberam o primeiro carimbo do escritório dele. “Teve gente que entrou com 16 anos e permaneceu por 25. Como também era advogado, ajudava em questões judiciais e muitas vezes, por opção, não recebia por isso.”
Fora isso, Afonso também se envolvia com a comunidade. Às segundas-feiras, participava do terço dos homens na igreja ucraniana. Toda terça-feira era vez das reuniões do Conselho de Segurança (Conseg) do município. Uma vez por mês, ajudava a organizar a “costelada beneficente”, arrecadando fundos para entidades da cidade. E por vários anos, ele foi o Papai Noel das crianças carentes.
Há um ano, a saúde do contador começou a dar sinais de que não ia muito bem. Os médicos encontraram um nódulo em um dos rins dele. O órgão foi retirado e a preocupação foi embora. Em junho deste ano, ele passou a se queixar de cansaço, o que não era normal. Ao mesmo tempo em que começou a ter lapsos de memória. O casal viajou a Curitiba e Afonso passou cerca de um mês fazendo uma bateria de exames. O resultado apontou que as veias do coração estavam calcificadas.
A indicação da equipe médica foi uma angioplastia de emergência. Não houve recusa do paciente e a cirurgia foi marcada para a semana seguinte.
Mesmo com a preocupação do caso, Afonso se mostrava bem, otimista, conta Rita, e decidiu aproveitar a estadia na capital para passear e visitar pontos turísticos.
Na manhã da cirurgia, ligou para os amigos, familiares e para o escritório de contabilidade; conversou com todos os funcionários, pediu orações e encerrou as ligações com um “até breve”.
Recebeu o último beijo da esposa e entrou na sala de cirurgia com um sorriso no rosto. Sofreu uma parada cardíaca no momento da operação e não resistiu.
Deixa mulher e quatro filhos. Dia 27 de agosto, aos 68 anos, em decorrência de uma parada cardíaca.
Lista de Falecimentos - 05/10/2015
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