
Aos 13 anos, Alcy Joaquim Ramalho Filho deu entrada no universo das notícias pelas mãos do padrinho, o jornalista Abdo Kudri. Ganhou o título de “foca” e a certeza de que seus próximos passos deveriam seguir a direção do colunismo social e da crítica. Aliado ao trabalho nas redações dos principais jornais do Paraná, o filho de Alcy Joaquim Ramalho, reitor da Universidade Federal do Paraná (1982-1986), descobriu as letras e a noite curitibana. Além de empreendimentos locais, também foi responsável pelo lançamento de casas de shows no eixo Rio-São Paulo.
O primeiro texto assinado por Alcy foi um breve comentário crítico sobre a televisão, em 1970, na extinta revista “TV Programas”. A publicação pioneira era dirigida aos telespectadores. Aos 15 anos, o jovem foi convidado pelo colunista Dino Almeida a escrever a seção de notas no “Jornal da Sociedade”, publicado aos domingos na Gazeta do Povo, sob o nome “7 Dias da Jovem Guarda”. Três anos mais tarde, aos 18, passou a assinar a coluna social diária do jornal O Estado do Paraná, sob orientação do jornalista Mussa José de Assis. E foi a partir de 1980 que Alcy se tornou o responsável por uma coluna cultural diária na Gazeta. Manteve o espaço por quase 20 anos.
A vocação de empresário da noite surgiu com a boate do Clube Sírio-Libanês do Paraná, na década de 1970. Alcy fundou e dirigiu o departamento universitário do clube. Fez sucesso entre os jovens. E não parou por aí. Chegou a ser dono de 12 casas de shows em Curitiba. A mais famosa foi a danceteria Angel’s Fligth, considerada a maior do ramo no país, na década de 1980. Outro espaço que marcou época foi a Dig It Discoteque. Um dos momentos marcantes foi uma festa em homenagem à memória do roqueiro Elvis Presley. Alcy considerou o evento uma espécie de precursor das raves do novo século.
Foi admitido como membro do Centro de Letras do Paraná, ainda nos anos 80, e deu início a eventos artísticos como o Salão de Artistas Plásticos Curitiba Arte, o Concurso Gralha Azul de Literatura Brasileira e o Festival de Cinema Texaco - Cidade de Curitiba.
Um novo projeto surgiu em 1991. Ele definiu o projeto editorial e gráfico da Folha da Imprensa e colocou-a nas ruas, com estrutura própria. Nos primeiros anos, retomou a ideia dos jornaleiros mirins –jovens uniformizados com jaquetas verdes que ficavam nas esquinas e praças. Alcy colocou o filho, Didmo, na rua para fazer enquetes e fotos, mas a parte técnica era mais interessante para o rapaz. O filho quis continuar como diretor do parque gráfico. O periódico fechou as portas em 2005.
“Polêmico, rebelde, defensor dos direitos humanos e da cidadania”, assim era Alcy para Regina Elena, amiga de longa data . Segundo ela, por trás da postura alegre e de reconhecido proprietário de casas noturnas, era “uma pessoa sensível, reservada, elegante e fraterna”. Segundo o filho, podia ser odiado ou amado. “Só quem o conhecia sabia do tamanho do seu coração”.
Era devoto de São Judas Tadeu, santo ao qual entregava seus problemas e pedia ajuda. Nos últimos tempos, Alcy queria comprar uma casa espaçosa em Florianópolis e compartilhar o dia-a-dia com a alegria do fiel amigo de quatro patas, Branco. Pela paixão pelos animais, seu sonho era montar uma ONG para atender animais abandonados. A ideia não vai ser deixada de lado, segundo o filho Didmo. “Viveu intensamente a vida”. Dia 1.º abril completou 58 anos. Deixa o filho Didmo, a nora Zilda, os amigos e o cão Branco.







