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Alcy Xavier: pura inspiração paranaense

 | Arquivo da família/
(Foto: Arquivo da família/)

São poucos os que têm o privilégio de saber desde cedo a que vieram ao mundo. O artista plástico Alcy Xavier foi um desses sortudos. Já na infância apaixonou-se pela arte e descobriu que pintar marcaria sua passagem pela Terra. Costumava dizer que a pintura é um trabalho de reflexão – e nessa vida refletiu até os 80 e tantos.

Nascido em Paranaguá, no Litoral, Alcy desenvolveu o talento para as artes plásticas por influência do pai, o telegrafista, músico e escultor amador Narciso Xavier. Foi por causa da profissão de seu primeiro mentor, inclusive, que a família precisou se mudar para a capital paranaense. O Litoral, porém, nunca deixou completamente Alcy, que se inspirou na região para compor muitas de suas obras.

Em Curitiba, foi aluno da primeira turma da Escola de Belas Artes do Paraná, mas não chegou a concluir o curso. As diferenças artísticas com os professores eram irreconciliáveis.

A falta do diploma não deixou a carreira de Alcy menos brilhante. Teve o privilégio de estudar pintura no ateliê de ninguém menos que Guido Viaro, que além de mestre, foi seu grande amigo. Em 1950, veio outro momento especial: aprendeu técnicas de pintura com Poty Lazzarotto. Não são todos que podem conviver com lendas.

Com o objetivo de fortalecer ainda mais as artes plásticas no estado, participou da fundação do Centro de Gravura do Paraná, em 1954. Alguns anos mais tarde, atuou como membro da comissão julgadora do 16.º Salão Paranaense de Belas Artes.

Na vida privada, foi casado com Regina Milder, judia cultíssima e de alegria sem igual. Viveram um grande amor, do qual nasceu Heidi. À filha, Alcy passou os ensinamentos de nunca desanimar e lutar por seus objetivos, sempre com muita responsabilidade. A veia criativa e apaixonada pelas artes também foi transmitida à nova geração da família Xavier. Um dos passatempos preferidos da dupla formada por pai e filha era fazer caleidoscópios. Quando Alcy partiu, coube a Heidi cuidar do acervo do artista.

No tempo livre, adorava ler – especialmente livros ligados à filosofia – e conversar com os amigos sobre a vida. E mesmo nos hobbies a arte estava presente, pois adorava fabricar prensas para fazer gravuras.

Entre o fim de 2014 e início de 2015, o Museu de Arte da Universidade Federal do Paraná (Musa) teve o deleite de receber a última exposição de Alcy em vida. Como que numa retrospectiva, “À Procura da Mímesis Perdida” explorou as duas fases da obra do pintor: a fase expressionista e a fase do abstrato transfigurado. Ambas recheadas de sentimento.

Aos 83 anos, Alcy se juntou ao rol dos eternos que tanto admirava, como Picasso, Da Vinci e Rafael. Aos mortais, fica a sua obra. Deixa filha, irmã, dois netos e dois bisnetos.

Dia 9 de julho, aos 83 anos, de causas naturais, em Curitiba.

Colaborou: Mariana Balan.

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