
Desde criança, o gaúcho Alfredo Paschoal Ruaro decidiu conservar costumes típicos da cultura italiana, hábitos alimentares do país europeu e o dialeto vêneto. Costumava cantar músicas populares usando o dialeto sempre que a família se reunia. Nos momentos de folga, seu passatempo era jogar canastra ou bocha e sempre fez questão de demonstrar a fé de um cristão convicto. Aos 21 anos, em 1935, casou-se com Ignez Zaniol, com quem teve sete filhos.
Da pacata cidade de São Marcos (RS), sua terra natal, mudou-se para Farroupilha (RS) onde montou um estabelecimento comercial, a Alfredo Ruaro & Cia. Foi na nova cidade que conheceu o caixeiro-viajante Willy Barth, que representava atacadistas de Porto Alegre. Barth o convidou para fazer vendas em cidades e vilarejos do Oeste de Santa Catarina e ele aceitou o novo desafio.
Seu contato com os colonos que o procuravam na loja de Farroupilha possibilitou conquistar novos interessados em comprar terras no estado vizinho. Lá conheceu Alberto Dalcanale que o convidou para formar uma nova empresa visando à compra da Fazenda Britânia. Com o apoio financeiro dos comerciantes amigos de Porto Alegre foi fundada a empresa Maripá. Em março de 1946 levava ao arroio Toledo a primeira equipe de desbravadores, tendo como braço direito seu irmão Zulmiro. Assim nascia a cidade de Toledo, um dos mais importantes municípios do Oeste paranaense.
Para chegar ao Oeste do Paraná, o grupo de colonizadores levou 30 dias, numa viagem de 700 quilômetros entre Farroupilha e Cascavel. Levariam mais nove até Pouso Toledo. O início foi muito difícil. Longe da família, do conforto, sem comunicação alguma, trabalhavam abrindo a mata virgem e eram atacados por carrapatos e nuvens de mosquitos o tempo todo. Muitos não aguentaram e voltaram ao Sul. Aos poucos a pequena vila prosperou. Alfredo Barth, no trabalho de colonizador e fundador de cidades, baseou-se no tripé igreja, escola e hospital. Eram os elementos necessários para fixar as famílias de novos moradores.
Após três anos à frente da Maripá cuidando do crescimento de Toledo, Alfredo partiu para uma nova empreitada. Através da firma Pinho & Terras, junto com seus sócios, fundou e deu início à infraestrutura das cidades de Céu Azul, Matelândia, Medianeira, São Miguel do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e Palotina. A forma adotada na colonização do Oeste do Paraná foi muito bem sucedida e elogiada até por organismos internacionais. Para desenvolver a região, procurou instalar indústrias que valorizassem a matéria-prima existente. Madeireiras, beneficiamento de café, indústria de óleo de soja, frigorífico, fábrica de rações e moinhos.
Na década de 80, visando a um trabalho missionário, Alfredo e Ignez criaram a Missão Nossa Livrarias Católicas, cujo objetivo primordial era divulgar a boa leitura e oferecer artigos religiosos católicos. Abriram lojas em diversas cidades dos três estados do Sul. Após anos de atividade intensa, resolveu mudar-se com Ignez para Balneário Camboriú. Lá viveu por mais de 20 anos mantendo uma rotina de vida saudável. Todos os dias caminhava na praia, tomava sua água de coco, assistia à Missa na Igreja de Santa Inês, jogava bocha com seus amigos e à noite procurava sempre ter companheiros para um joguinho de canastra. Tomava um cálice de vinho tinto nas refeições e alimentava-se de tudo moderadamente. Continuou seu trabalho evangelizador com distribuição gratuita de terços e de evangelhos a todas as dioceses do Brasil, durante vários anos.
Gostava de receber seus filhos, netos e bisnetos para uma conversa, um almoço ou para a canastra, que jogou até vésperas de seu falecimento. Comemorou com alegria 70 anos de casado e ficou viúvo em 2009, quando sua esposa faleceu, aos 93 anos. Em 2013 houve uma grande festa pelo aniversário de 100 anos de Alfredo. Nesta ocasião reuniram-se todos os seus descendentes, parentes e amigos, que vieram de várias partes do Brasil e do exterior. “Ele foi acima de tudo um homem de muita fé e determinação”, frisa o filho Cláudio. Faleceu no dia 3 de outubro de 2015, aos 102 anos, em seu apartamento em Camboriú devido a uma insuficiência respiratória. Foi sepultado no Cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba. Deixou os filhos Maria Terezinha, Cláudio, Roberto, Ana Maria e Ivete Maria, além de 20 netos e 26 bisnetos.







