“Ele veio para alegrar a nossa vida”. É assim que Fátima Correia lembra do nascimento do filho. Anthony Henrique Correia nasceu no dia 25 de março de 1996, dois anos depois do casamento de Fátima e José Adauto Correia, e foi o primeiro filho do casal, que vive no bairro da Nova Rússia, em Ponta Grossa. Fátima conta que o filho foi planejado e muito esperado. Quatro anos depois do nascimento de Anthony, veio a irmã caçula. Os três eram a grande paixão do jovem músico.
Uma das suas principais características era a docilidade com que tratava as pessoas. Carismático, Anthony distribuía sorrisos. Na escola, segundo a mãe, sempre foi uma criança bagunceira, mas muito amorosa com todos. “Sempre procuramos ensiná-lo o caminho certo, o amor a Deus. Ele fazia a obra de Deus com muito amor, sempre alegre, tinha um coração muito bom”, diz a mãe.
E o gosto pela música apareceu já na infância. Com 3 anos, na igreja evangélica que frequentava com os pais, Anthony costumava acompanhar as canções gesticulando, como se tocasse uma “bateria imaginária”. A família notou a vocação e ainda criança Anthony começou a ter aulas de bateria. Os ensaios eram frequentes, em casa e na igreja. Desde então, ele passou por vários grupos até chegar à banda gospel El Shaday. Com os companheiros de música, viajou por cidades e estados brasileiros para as apresentações.
Anthony trabalhava desde os 15 anos. Dividia seu tempo entre a banda e o emprego como polidor de automóveis, uma das suas paixões – ele sonhava em ter um carro rebaixado. Nos finais de semana, o hobby favorito era empinar pipa. O adolescente desejava seguir a profissão do pai: caminhoneiro – os dois chegaram a fazer várias viagens juntos.
Aos 19 anos, Anthony já estava noivo de Amanda, jovem que conheceu na igreja que frequentavam e, mesmo jovens, mantinham uma relação séria e duradoura. Antes do noivado, há um ano, os dois namoraram por seis anos. O casamento estava planejado para outubro do ano que vem. O amor veio da infância, cresceu e se tornou evidente para todos que conviviam com os dois. “Eles se amavam mesmo, quando podiam sempre estavam juntos, se completavam. Ela era um membro da nossa família”, conta Fátima.
No dia 22 de outubro, com fortes dores de cabeça, Anthony foi hospitalizado, e faleceu em decorrência da ruptura de um aneurisma cerebral. A mãe lembra com carinho a grande corrente de orações que se formou durante o período de internação. Ela atribui essa admiração dos amigos e familiares à personalidade do filho. “Era o jeito dele. Tinha muitas amizades, carisma, e era muito lindo, sempre sorrindo e brincando”, diz.
A família encontra na religião um consolo para a perda. “O que me conforta é que eu não perdi meu filho para as drogas ou, como tantas mães que choram, não vi meu filho na prisão. Ele só me trouxe alegria. Ele está no lugar onde a gente sonha em estar, onde não tem mais sofrimento, não tem mais dor. Deus veio buscar o que era dele, colheu o cravo mais lindo que tinha”, diz Fátima.
Deixa pai, mãe, irmã e noiva.







