
Para ajudar os policiais que atuavam em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, foram criados os inspetores de bairro no fim da década de 1970 e no início da de 1980. Esses “xerifes” tinham como missão resolver diversas situações: pequenos furtos e até discussões conjugais. Antonio Romão Fontanez era um desses homens de confiança do povo e desempenhava com maestria a função na região do Jardim Petrópolis.
Em um desses episódios, ele chegou a ficar no meio de um tiroteio após tentar apartar uma briga de bar. “Só lembro que eu escondi os meus filhos embaixo da mesa”, conta Lourdes, esposa de Antonio. Essa aventura como “xerife” durou quase cinco anos. Ele decidiu largar o posto – que era voluntário – para se dedicar exclusivamente ao trabalho e à família. “Tinha muito medo e pedia para ele largar aquilo. Eu temia que o povo ficasse com raiva dele”, explica a esposa.
Nascido no interior de São Paulo, Antonio ajudava a família a cortar e a transportar madeira. Veio ainda adolescente para o Paraná. Morou em Paranacity, Assis Chateaubriand, Tupãssi e Cascavel; desembarcou em Foz do Iguaçu em 1978.
A maneira como conheceu a esposa faz parte desse rol de curiosidades. Foi durante o velório de um primo dele, que havia morrido em um acidente e era ex-namorado de Lourdes. “Ele falou que a gente ia namorar um dia, mas nem dei bola”. Foram 42 anos de casamento, além dos cinco de namoro.
Os anos de estrada como caminhoneiro renderam muitas histórias, as quais estava sempre disposto – mesmo com a saúde debilitada – a contar aos que dispunham de tempo para ouvir. A experiência adquirida na boleia ajudou a aperfeiçoar os conhecimentos técnicos para se tornar mecânico. Exerceu essa profissão por quase 40 anos na oficina montada do lado de casa. Os dois filhos – Vanderlei e Claucio – sempre o ajudavam na oficina, mas não seguiram nesse ofício. Claucio é comerciante; Vanderlei, representante comercial. “Ele também não achava que era uma atividade muito rentável”, conta Claucio.
A excelência do trabalho rendeu vários convites para trabalhar em outros lugares, mas o desejo de não ser empregado predominou na vida de Antonio.
Na comunidade, Antonio ajudou a fundar a AKLP (Associação dos Jardim Karla, Laranjeiras e Petrópolis) e também auxiliava na coordenação da Escola Municipal Parigot de Souza.
Sujeito simples, gostava de uma boa pescaria nos momentos de folga. Em outros tempos, o programa chegou a ser compromisso diário com a família e os amigos. “Trabalhávamos até as 5 horas da tarde e íamos direto para o Rio Paraná. Chegávamos a encher a traseira do jipe com peixes e depois distribuíamos pelo bairro”, afirma o filho. Para deixar os momentos ainda melhores, não dispensava uma moda de viola como trilha sonora.
Antonio também tinha grande admiração por cachorros. Segundo a família, poucos dias eram o suficiente para que ele adestrasse os animais. “Só faltava fazer o cachorro falar”, brinca Claucio.
Há cerca de 15 anos, Antonio começou a ter problemas de saúde decorrentes do diabetes. Morreu devido à insuficiência cardíaca. Deixa a esposa Lourdes, os filhos Claucio e Vanderlei, os netos Ana Beatriz, Vinícius e Flávia Gabriele, e quatro irmãos.







