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Lista de falecimentos

Arno Hauser Júnior: o homem de dois nomes e muitas histórias

Arno Hauser Júnior | Arquivo da família
Arno Hauser Júnior (Foto: Arquivo da família)

No primeiro dia de aula, ele não respondeu à chamada. Esperou pacientemente a professora chegar ao final da lista, mas não a ouviu dizer o seu nome. Surpreso, perguntou se havia algum problema e só então descobriu o nome que carregava no registro de nascimento: Arno Hauser Júnior. Em casa, a mãe o batizou como Orlando, o nome que ela queria para o filho. Essa história de infância sintetiza a sua vida: cheia de surpresas, aventuras e anedotas.

Dono de uma memória extraordinária, Arno Hauser Júnior sempre tinha uma história para contar. Em uma delas, ele narrava em detalhes a jornada que enfrentou para levar as latas do filme O Ébrio (1946), do cineasta Gilda de Abreu, para serem projetadas no Cine Império, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. No volante, enfrentou uma forte chuva enquanto a mãe, no assento do passageiro, operava os limpadores de para-brisa por meio de uma traquitana que ele havia desenvolvido. Naquele tempo, a engenhosidade driblava a falta dos recursos automáticos.

Com uma fita, cola e barbante, não havia nada que ele não pudesse consertar. Fascinado por máquinas e engrenagens, não cansava de expressar a admiração pelas conquistas do homem moderno: locomotivas, navios, zepelins, entre outras. Os seus depósitos acumulavam vestígios de todas as vidas que viveu em uma só: relojoeiro, aviador, fazendeiro, comerciante, empreendedor, projecionista, etc. Na infância dos netos, esse era o lugar das grandes aventuras – sempre entre objetos como livros alemães com letras góticas, parafusos enferrujados, lâmpadas queimadas e antigos cadernos.

Independente, valorizava a liberdade de ir e vir. Certo dia, voltava de bicicleta de Pontal do Paraná para Curitiba e decidiu parar na ponte sobre o Rio Guaraguaçu para comer uma melancia enquanto apreciava o pôr-do-sol. “Eu sempre adorei essa imagem do meu avô, vinte e poucos anos, sozinho em sua bicicleta, olhando aquele céu alaranjado, o sabor da melancia fresca em sua boca. Esse momento parece representá-lo como eu gosto de imaginar que ele está agora: livre, em comunhão com a natureza, pleno, saciado e feliz”, diz o neto, Murilo Hauser.

Também amava os bichos e a natureza. Ao assistir à televisão, sempre chamava a esposa, Maria Conceição Hauser, cada vez que um lobo, crocodilo ou antílope aparecia. Ela se apressava para sentar ao lado dele e ficava feliz em vê-lo feliz. “Eu gostaria de ter conhecido meus avós quando eram jovens. Queria ver como começou a vida de um casal que sabia se fazer feliz e qual era o segredo por trás de tantos anos juntos”, conta Murilo.

Quando foram a primeira vez ao cinema, ele segurou o dedo mindinho dela. Sem saber, esse pequeno gesto marcou o começo de um casamento de 67 anos. Juntos, tiveram três filhos e seis netos. Eternamente apaixonados, ele sempre a fitava com os olhos brilhando ao dizer que ela era a mulher mais bonita que ele havia visto em sua vida.

Arno Hauser Júnior, ou melhor, Orlando, olhava para o mundo fascinado, curioso e tentando entender os mistérios da vida. Nada o fazia mais feliz do que estar cercado por sua família e amigos. “Quando ele estava em uma sala, a temperatura do ambiente era diferente. Ele era como um sol que iluminava todos que estavam próximos dele. Sua presença magnética será lembrada em cada almoço, jantar, festa de Natal e aniversário em que, inevitavelmente, seu nome será lembrado”, diz Murilo Hauser. Deixa a esposa, filhos, netos e cunhada.

Lista de falecimentos - 05/12/2015

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