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Lista de falecimentos - 09/07/2015

Aroldo Brasil Thomé: a calma e a musicalidade de um médico

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Quando jovem, Aroldo Brasil Thomé estava em dúvida entre duas profissões: pianista ou médico. As duas escolhas exigiriam do curitibano o mesmo nível de dedicação. Aos 18 anos, decidiu pela carreira na medicina. Enfrentou duas vezes o vestibular da Universidade Federal do Paraná antes de dar início ao curso. No período de estudos, deixou de lado o piano, mas nunca perdeu o talento que mostrava desde criança. Após se formar, em 1961, organizou sua rotina e retomou a dedicação ao instrumento.

Para acompanhar o piano, Aroldo gostava de cantar. As canções de Noel Rosa eram suas favoritas. Para a esposa Reny, que conheceu no fim da década de 1950, dedicava Autumn Leaves, composição francesa de Joseph Kosma. Em 1º de maio de 1963, data em que ele completou 26 anos e quatro anos após o começo do namoro, casou-se com Reny. O casal teve três filhos: Ana Cristina, Célia Regina e Luiz Augusto.

Aroldo era um homem muito calmo. Buscava permanecer em ambientes tranquilos. Ia para a praia, por exemplo, em dias fora da temporada. Era praticante de ioga e tai chi chuan, que combinavam perfeitamente com a personalidade serena. Falava sempre com muita leveza, sem se alterar. Diziam que a voz dele era muito doce.

O curitibano gostava de fazer passeios com os filhos. Aroldo sempre os levava para pescar e em parques de diversão. Apesar de preferir os ambientes calmos, acompanhava as crianças na roda-gigante. Revelou que não gostava do brinquedo somente depois de ter ido muitas vezes – e com os filhos todos já adultos.

A relação com Ana Cristina, Célia Regina e Luiz Augusto sempre foi marcada pela atenção que dedicava aos três. Não era um homem de dar ordens; gostava de ouvir e aconselhar. O pai incentivava que eles tomassem as próprias decisões e fizessem escolhas. Contava que alguns amigos médicos obrigavam os filhos a seguir a mesma carreira deles, mas que com ele era diferente. Dizia que os filhos deveriam ser o que quisessem. Ana virou restauradora de arte, Célia, fonoaudióloga e Luiz é piloto de avião – todos as carreiras foram incentivadas por Aroldo.

Teve três netos: Amanda, Augusta e Arthur, cada um deles é filho (a) de um dos herdeiros . Com a chegada dos pequenos, Aroldo passou a se dedicar ainda mais à família. A idade já não o deixava sair para os passeios como fazia antes, mas nunca o impediu de cuidar das crianças. Costumava sentar para conversar e dar comida aos netinhos. A afilhada Nicole, filha do cunhado e melhor amigo Arnaldo, também tinha um grande espaço em seu coração. Aroldo fez o parto da menina, o que o deixou ainda mais próximo dela e de seus pais.

Como era filho único, dizia que os cunhados Arnaldo e Rosi eram seus irmãos. Aroldo e Arnaldo tinham inúmeros compromissos juntos, um deles era a reunião mensal dos amigos. Iam todos para uma chácara para fazer churrasco e jogar bocha. Essas partidas eram quase sagradas em sua agenda.

A paixão pela medicina sempre foi guiada pelo amor à vida. Decidiu seguir carreira na ginecologia e obstetrícia, para que pudesse ajudar a trazer ao mundo novos curitibanos. Em mais de 50 anos de profissão, perdeu a conta de quantas crianças ajudou a nascer. Em muitos casos, ele foi o responsável pelo parto de até três gerações de uma mesma família. “Era até difícil passear com ele. Por onde andava, ele encontrava pessoas das quais tinha participado do nascimento delas ou dos filhos”, conta Ana Cristina.

Foi ele quem trouxe o segundo aparelho de ecografia para Curitiba. Junto com o médico Joel Temporal, fez um curso na Espanha para aprender como fazer os exames. Aroldo atendeu em inúmeros hospitais e consultórios particulares. Em alguns deles, era o único que sabia usar os aparelhos antigos de ecografia. Durante a carreira fez grandes amigos, desde a época da faculdade. Fazia questão de reencontrar a turma da UFPR todos os anos para matar as saudades. Se aposentou por volta dos 70 anos.

Em maio, Aroldo foi internado com muitas dores na barriga e passou por duas cirurgias para tratar uma torção em uma parte do intestino. Mas não resistiu às complicações da segunda operação. Deixa a esposa, três filhos, três netos, a afilhada, cunhado e cunhada.

Lista de falecimentos - 09/07/2015

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