
Sempre com uma piada na ponta da língua, Ary Amâncio Mathias espalhava seu bom humor por onde passava. Nascido em Antonina, veio ainda criança para Curitiba, mas nunca deixou para trás o amor por sua terra natal. Na capital paranaense estudou e fez carreira como dentista. Por muitos anos espalhou e cuidou de sorrisos.
Em Curitiba, morou e estudou no Internato Paranaense, no bairro Seminário. Ficou na instituição até completar o ginásio, e então se mudou e passou a residir em uma pensão no Centro da cidade. Completou seus estudos no Colégio Novo Ateneu e, com muita dedicação, conseguiu uma das vagas para cursar odontologia na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Após formado, dividiu sua carreira entre o Hospital Adauto Botelho e seu consultório particular, na Galeria Tijucas. Nesta dupla jornada fez muitos amigos em virtude de seu bom humor. Ficou tão querido no hospital que em sua homenagem foi criada a AAA – Associação dos Amigos do Ary –, organização fictícia fundada por seus amigos.
Em 1998, depois que se aposentou, Ary descobriu um novo dom: a pintura. Por convite de uma amiga, iniciou as aulas de pintura no Atelier Pró-Criar. Seus quadros sempre tinham como temática a natureza; nas obras gostava de retratar as paisagens de Antonina. Apesar de sua especialidade, o quadro que mais chama a atenção é o retrato da esposa. Dava de presente aos muitos amigos todas as pinturas. “Brincava que era um artista internacional, pois um de seus quadros foi para os Estados Unidos, quando um amigo se mudou”, conta a filha Maria Helena.
Tinha uma relação muito forte com o Centro. Antes do trabalho, parava para conversar com os conhecidos e tomar seu café na Boca Maldita. Ary contava piadas mesmo quando estava em um local em que não conhecia ninguém. Foi também no Centro que conheceu sua esposa. A jovem Roselir participava de uma procissão pelo Calçadão da Rua XV, em 1947, e, para ele, foi amor à primeira vista. Descobriu que a moça era filha dos proprietários da Confeitaria Cometa, e, por insistência de Ary, conseguiram se aproximar. Namoraram escondido da família de Roselir por alguns meses, pois o relacionamento não era bem visto pelo pai da menina. Em 1953, já com o consentimento dos sogros, casaram-se. Para Ary, a esposa era uma das pessoas mais especiais do mundo e sempre tinha orgulho de falar sobre “sua alemã”, como carinhosamente a chamava.
Tiveram quatro filhos, três meninas e um menino. Outro grande orgulho da vida de Ary era ter conseguido guiar seus filhos pelo caminho da educação. Todos eles concluíram os estudos.
Em casa mantinha a mesma personalidade: era muito brincalhão e bom de conversa. Gostava de contar aos filhos as histórias dos apelidos dos moradores de Antonina. Na cidade é costume que todos tenham um apelido; e seus causos eram geralmente sobre a origem desses nomes.
Gostava de dançar ao som do bolero com Roselir. Sempre que tinham a oportunidade, arriscavam alguns passos juntos. Também era grande a alegria de estar com os netos. Quando eles nasceram, era comum vê-lo carregando as crianças no colo pelo jardim da casa.
Mantinha o bom humor também no mundo virtual. Era conhecido por seus e-mails, já que encaminhava mensagens engraçadas aos amigos e conhecidos. Passava horas em frente ao computador compartilhando os textos divertidos que recebia. Levantar o dedo mínimo na hora de segurar a xícara e o pincel era outra marca registrada.
Um câncer de próstata dificultou o fim de sua vida. Ary também tinha problemas cardíacos, o que impediu um processo cirúrgico para conter o avanço do tumor. A doença se agravou rapidamente e ele não resistiu. Ary deixa a esposa, quatro filhos, 11 netos, quatro bisnetos, um irmão e uma irmã, além de muitos amigos.
Lista de falecimentos - 22/04/2015
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