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Lista de falecimentos - 27/06/2015

Ausdrei Amaro Rosa, o Deco: o nadador de coração caridoso

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Ausdrei Amaro Rosa não era um cidadão conhecido em Paranaguá, no Litoral, mas o “Deco” era, garantem os familiares. Das carreiras como salva-vidas e, mais tarde, como guarda portuário colecionava uma legião de amigos. A família só soube que muitos deles existiam na despedida de Deco.

Por ser salva-vidas, desenvolveu uma incrível habilidade para a natação. “O grupo dos bombeiros do Litoral sempre dizia que ele era o melhor”, orgulha-se a esposa Neuci Korsanke Rosa. Deco já trabalhava no porto e houve uma competição entre os portuários no Rio Itiberê. Ele foi inscrito pelos colegas para concorrer na natação. Fazia alguns anos que estava parado e, ansioso, pensou em desistir da disputa. “Ele falou que os outros nadadores tinham treinado bastante, enquanto ele estava magrinho”, explicou a esposa. Decidiu sair de casa “só pra dar uma olhadinha” no evento, mas os amigos insistiram para que participasse. E ele foi. “Começou lá trás, estava em último. Mas tinha as técnicas e deslizava na água. Foi ultrapassando um por um até chegar em primeiro lugar”. Depois disso, outras competições e outras vitórias também vieram.

Deco e Neuci tiveram um casal de filhos: Ausdrei Korsanke Rosa, 33 anos, e Vanessa Korsanke Rosa, 31 anos. Foram 34 anos de união. Superprotetor, mesmo depois que os filhos já estavam crescidos e casados, ainda eram alvo de preocupação constante do pai. Os sogros também recebiam a atenção de Deco. “Já tinha perdido os pais e então adotou os meus”, conta Neuci. Os pais dela tiveram nove filhas, nenhum menino.

Quando o primogênito de Ausdrei e Neuci nasceu, o guarda portuário chegou ao quarto, ainda sem saber o sexo do bebê, e perguntou “o que era?”. A esposa contou que era menino; num impulso, o marido correu para contar aos sogros que o primeiro guri da família havia nascido. “Ele vivia pedindo desculpa por não ter entrado no quarto primeiro”. Vanessa nasceu dois anos depois – no mesmo dia em que ele venceu a competição de nado.

“A mão esquerda dele nunca soube o que a direita fazia”, afirma a esposa. A família sabia que ele gostava de ajudar os mais necessitados, mas não tinha ideia do quanto ele fazia pelos que precisavam. O portuário não costumava contar as “aventuras”, pois não queria chamar a atenção. Esse ensinamento sempre esteve presente na educação que passou aos filhos. “Você não sabe o porquê a pessoa está naquela situação”, fazia questão de lembrar sempre. “Eu gosto de estar perto daqueles que ninguém vê, eles precisam de atenção”, afirmava Deco. Com essa filosofia de vida, doava alimentos sempre que podia. “As vezes ele passava por alguém e, ao chegar em casa, dizia que ia voltar até aquela pessoa. Então ele levava as doações”, conta Neuci.

Às margens do Rio Itiberê, no Centro Histórico, também ajudou muita gente também. As pessoas em situação de rua que vivem na região foram ajudadas por Deco incontáveis vezes. “Um sábado antes de ele passar mal, chegou ao Mercado do Peixe, na barraca de uma conhecida nossa e comprou café e salgados para todos os cuidadores de carro que ficam por ali”, descobriu a esposa alguns dias depois.

Gostava também de parar no trapiche com a mulher para apreciar a vista do rio. “Como pode as pessoas duvidarem da existência de Deus? Olhe tudo isso”, refletia. Do outro lado do Itiberê, na Ilha dos Valadares, também tinha muitos amigos. Gostava do local porque era simples e tinha contato com a natureza.

Deco estava em casa quando se sentiu mal e chamou a esposa. Foi levado ao hospital em Paranaguá e precisou ser transferido para Curitiba, onde deveria passar por uma cirurgia. Durante a operação, ele não resistiu. Os familiares optaram por sepultá-lo no cemitério da Ilha dos Valadares. Quando o cortejo passou pela Praça Ciro Abalem, na entrada da localidade, o guarda portuário, que até então passava despercebido, foi aplaudido por centenas de pessoas. Deixa a esposa, dois filhos, genro, nora, três netas, três irmãos, sogros, cunhadas e amigos.

Lista de falecimentos - 27/06/2015

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