
Bruna Pivato foi uma defensora dos direitos dos surdos. Quando tinha três anos de idade, perdeu totalmente a audição por sequela de uma meningite. Na mesma época, a família descobriu que ela sofria de uma doença rara e sem cura, a anemia falciforme (alteração dos glóbulos vermelhos, que desenvolvem formato de foice e dificultam a passagem do sangue). Por causa dos problemas, Bruna teve sua vida dividida entre a escola e as consultas médicas. Seu ideal de estudar o máximo possível fez com que muitas portas se abrissem. Ela estudou no Cedap – escola especial para surdos em Paranaguá. Concluiu o ensino médio no Arthur Miranda Ramos -- um colégio regular. Só que não terminou por aí. Concluiu o Magistério, formou-se em Pedagogia e Letras Libras.
“Ela sempre estava em busca de aprimorar o currículo e adquirir novos conhecimentos. Fez pós-graduação em Curitiba. Acabou provando para todos que ser surda e ter uma doença, que muitas vezes a privava de fazer certas coisas, não era um empecilho, mas um motivo de superação”, conta a irmã Greyce Pivato.
O exemplo de Bruna motivava os amigos que também eram surdos a ir além. Ela, inclusive, evitava usar o termo deficiente auditivo, porque se dizia totalmente surda e o termo se refere a surdez parcial.
Prestou concurso e foi trabalhar na Secretaria de Educação de Paranaguá, fez cursos de capacitação em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e se colocou a serviço de quem precisava. “Era professora do curso de Libras da Igreja Batista, fazia palestras, seminários, congressos, jamais tinha um ‘não’ quando um amigo precisava de ajuda”, lembra a irmã.
Incentivando os amigos e alunos a buscarem sempre superar seus próprios limites, Bruna renovava suas aspirações com frequência. Segundo a irmão, Bruna tinha planos de conhecer o mundo para aprimorar seu lado profissional e abrir ainda mais portas aos surdos.
Outra bandeira levantada por Bruna era que o uso da Libras fosse praticado efetivamente, já que é a 2ª língua oficial do Brasil, regulamentada em 2002. Sofria de algumas crises de anemia, mesmo que raras. Mas cada vez que voltava do hospital sua determinação era maior, contam os familiares. Também por causa da anemia, seguia uma dieta rígida e se alimentava basicamente de salada, peixe, sucos e muita água.
A jovem Bruna foi internada em Curitiba para tratar uma complicação da anemia falciforme. Já estava debilitada e acabou sofrendo de falência múltipla dos órgãos. Quinze dias depois, teve um dos seus maiores desejos realizados. Católica, Bruna sonhava com a criação da Pastoral dos Surdos na Diocese de Paranaguá. A ideia era que as celebrações tivessem a presença de intérpretes. No dia 20 de setembro, a comunidade surda, seus intérpretes e amigos se reuniram para participar da 1ª Missa Especial na Catedral Diocesana de Paranaguá. Foi o pontapé inicial para a criação da pastoral.
Deixa pai, mãe, 2 irmãos, amigos, companheiros de trabalho e alunos.
Dia 05 de setembro, aos 28 anos, de falência múltipla dos órgãos, em Curitiba.







