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Lista de falecimentos - 15/04/2015

Carlos Roberto Zanello de Aguiar: Macaxeira, o fotógrafo do Litoral do Paraná

 | Kraw Penas/Secretaria de Estado da Cultura
(Foto: Kraw Penas/Secretaria de Estado da Cultura)

O curitibano Carlos Roberto Zanello de Aguiar, o Macaxeira, era apaixonado pela sua terra natal. Via no Paraná riquezas que outros lugares não possuíam. Os pescadores do Litoral paranaense e arte popular feita aqui estavam entre os temas que tinha interesses em fotografar. Baseou seu trabalho e projeto de vida em torno dessas paixões, para as quais dedicou boa parte de seu tempo.

Morador do Centro da capital, Carlos iniciou seu trabalho no setor cultural de Curitiba em 1980, quando passou a fazer parte da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná. Lá atuou como fotógrafo e despertou ainda mais seu interesse pela arte. Por meio da secretaria conheceu o trabalho artístico feito pela população litorânea. Ele tomou como missão mostrar a simplicidade da região. Das fotografias surgiu seu principal trabalho, o livro Fandango do Paraná: Olhares, produzido em conjunto com o escritor Edival Perrini. Atuar no Litoral tornou-se parte tão importante em sua história, que resolveu comprar uma casa na região do Parque Nacional do Superagui. Mantinha sua vida dividida entre Curitiba e a casa na praia. “Ele foi o responsável por tirar aquelas pessoas e a cultura delas da invisibilidade”, conta a irmã gêmea Sandra Aguiar.

A leitura estava sempre muito presente na vida de Carlos. Gostava de se manter atualizado – principalmente sobre a fotografia. Tratava sua profissão como uma ciência, buscava na leitura novos métodos e olhares. Era muito conservador com seu equipamento e, mesmo com o passar dos anos, continuava fotografando somente com filmes de 35 mm. O preto e branco também aparecia em muitos de seus trabalhos. Estudava história da arte na PUCPR também como uma maneira de inovar em sua profissão. “Ele levou sorte de fazer o que gostava. Talvez por isso dedicava quase todo seu tempo à fotografia e à cultura”, conta a irmã.

Carlos conquistou muitos amigos durante os seus 65 anos de vida. Por onde passou ganhou a simpatia e amizade das pessoas. Após voltar de uma visita à Bahia, recebeu o apelido de Macaxeira. Lá a raiz, conhecida como mandioca ou aipim no Sul do Brasil, é muito popular. E era por esse apelido que ficou conhecido por todos.

Era um homem muito firme. Falava de uma maneira séria, mas ao mesmo tempo era sensível e sentimental. Era frequentador do tradicional bar curitibano “Bife Sujo” e lá mantinha seus laços com a classe artística da cidade, também frequentadora do local. Das conversas no bar nasceu a amizade com o poeta Paulo Leminski e com ele desenvolveu diversos trabalhos. É dele a icônica foto de Leminski assoprando um dente de leão.

O chapéu panamá era a sua marca registrada e por onde ia vestia um de seus nove exemplares. Quando queria atrair a atenção das pessoas, usava de muito ironia e mostrava um certo bom humor. Era muito simples e também mantinha uma boa relação com seus irmãos.

De origem italiana, Macaxeira gostava de estar próximo da família. Adorava principalmente os almoços organizados pelas irmãs, nos quais não podia faltar uma boa macarronada e outras massas. Sempre enfatizava o fato de ter uma irmã gêmea. Com ela, dividia a paixão pela música, principalmente pelo samba de raiz. Cartola, Bezerra da Silva e Martinho da Vila eram alguns de seus ídolos. Mantinha uma boa quantidade de LPs e CDs. Em sua casa também era comum encontrar artesanatos ligados à tradição paranaense. Quase todos eram presentes de amigos do Litoral.

Na noite de 9 de abril, Carlos não resistiu ao agravamento de um câncer. Deixa seus irmãos Emilia, Agostinho, Guacira e Sandra, os sobrinhos e muitos amigos.

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