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Lista de falecimentos - 25/02/2015

Cecy Yoli Mourão Ramalho: na luta pelos direitos da mulher

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

A mineira Cecy Yoli Mourão Ramalho não tomou para si o título de feminista, mas nunca queimou sutiã na praça como fizeram algumas mulheres na década de 1960. Mesmo assim sempre lutou pela liberdade da mulher e pela igualdade de direitos. Não se envolveu com a política.

Filha de um promotor de justiça, cresceu em uma casa onde não existiam barreiras entre os sexos. Ao contrário, tinha seu espaço e era incentivada a se dedicar aos estudos. Em Rio Negro (PR), depois da transferência do pai do interior de Minas Gerais, aos 14 anos, dirigia seu próprio carro. “Andava por tudo e acontecia”, conta, sorrindo a filha Cida. Quando ninguém usava calça comprida, Cecy já tinha a peça em seu guarda-roupa. Até os 90 anos, Cecy não abriu mão dos jeans. “Era muito moderna”.

Veio sozinha para Curitiba para estudar em um colégio de freiras, aos 16 anos. Ficou em um internato de irmãs. Em pleno período da Segunda Guerra Mundial, resolveu que precisava estudar alemão, mesmo sendo uma língua proibida.

Quando ainda eram poucas as mulheres que trabalhavam, Cecy buscou uma atividade profissional. Em pleno conflito do outro lado do oceano, resolveu ser telegrafista nos Correios e Telégrafos. Se não podia fazer parte do grupo de soldados brasileiros enviados à Itália, iria ajudar de outro jeito, dizia ela. Enviar e receber mensagens e telegramas foi a sua função até ser transferida para o Ministério das Comunicações. Aos 60 anos, aposentou-se. Mas nada de ficar em casa. “Tinha uma cabeça aberta”, lembra a filha Cida.

O temperamento livre e em busca de experiências levou Cecy a partilhar uma longa história de amor com Hamilton, um médico da Base Área do Bacacheri. Em 1948, fazia aulas de voo para tirar o brevê de piloto. Desistiu no meio do caminho. “Ela preferiu se casar do que tirar o brevê”. O marido também tinha uma visão de mundo mais moderna. Para ele, mulher não precisava ficar bordando em casa. Ela fugiu da regra ao se casar; todas as três irmãs ficaram solteiras e cursaram Direito.

Enquanto as mães dos colegas de seus filhos ficavam em casa, Cecy trabalhava e aproveitava a vida com as inúmeras viagens que realizou com o marido e as irmãs, depois de ficar viúva, na década de 1980. Quase sempre de carro. Adorava dirigir. Tinha o maior orgulho da sua carteira de motorista. Somente aos 88 anos deixou de ser condutora, depois que o Detran não renovou mais o documento. “Para ela, foi a morte”, comenta a filha.

Esse espírito inquieto, quase elétrico, define a filha, levou Cecy a educar as três filhas com a mesma liberdade com a qual foi criada: a sua filosofia era de que todos são iguais. Então, nada de obrigações femininas com a casa, por exemplo. “Nunca fomos obrigadas a fazer tarefas domésticas”, lembra Cida. O importante era que as filhas estudassem. Dizia que a mulher precisava ser “dona do próprio nariz”. Deixa cinco filhos, 12 netos e sete bisnetos.

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