
Mãe preocupada, esposa dedicada, excelente anfitriã e ávida leitora. Assim era Consuêlo de Castro Sylvestre, a primeira presidente nacional das As Auxiliares, entidade que reúne as esposas dos Gideões Internacionais, uma associação evangélica de distribuição gratuita da Bíblia fundada em 1972.
Consuêlo era casada com o jornalista, escritor e historiador Josué Sylvestre, com quem teve cinco filhos: Luiracy, Josué Junior, Luciane, Lucyara e Lucimary. Graças ao seu constante incentivo aos estudos, viu todos eles receberem o diploma de curso superior. Os netos, Hadassa e Josué Terceiro, eram o seu orgulho, e aguardava ansiosa a chegada de Gabriel, seu primeiro bisneto.
Foi esposa fiel e companheira, cuidando do lar e da criação dos filhos durante os anos de maior atividade política do esposo. Por causa disso, morou em diferentes regiões do Brasil. Na década de 90, encantou-se com a capital paranaense e dizia que “só deixaria a cidade quando se mudasse para o céu”, relembram as filhas.
Como liderança ativa na tradicional denominação evangélica Convenção Batista Brasileira (CBB), liderou grupos de mulheres de diferentes idades nas cidades pelas quais passou. Sua passagem bíblica preferida era Romanos 8:28, na qual o Apóstolo Paulo afirma: “E sabemos que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”
Em casa, Consuêlo transbordava os aprendizados adquiridos nas atividades da igreja. Na memória dos filhos, é vivo o registro da atmosfera doméstica acolhedora e divertida proporcionada pela mãe. Na fase da adolescência dos filhos, conduzia os piqueniques na Ilha de Paquetá (RJ) e se responsabilizava pelo “bando” de adolescentes . Na década de 70, recepcionava os jovens da igreja na virada do ano. Por muitos anos, a sua receptividade acolheu diferentes gerações de amigos da igreja.
Uma das suas datas comemorativas preferidas era o Dia do Pastor, sempre comemorado com deliciosos almoços, que ficaram na memória de muitas famílias de ministros evangélicos das diversas localidades por onde passou.
Nas panelas, a tríade “sabor, cheiro e cor” era a sua marca registrada. Cozinheira de mão cheia, Consuêlo caprichava tanto na preparação como na apresentação dos pratos. As receitas tipicamente brasileiras, como vatapá, carne-de-sol e cocada eram a sua especialidade. Com singeleza, ela também adorava preparar a comida preferida das pessoas.
Ajudava, também, aos mais necessitados com doações contínuas de roupas, alimentos, utensílios domésticos e móveis a instituições evangélicas de ação social. No dia a dia, tratava com o devido respeito todas as pessoas independentemente da situação financeira.
Apesar da saúde debilitada, foi uma guerreira cheia de fé e esperança. Durante a vida, sobreviveu a dez cirurgias, uma delas um transplante renal realizado em 1990. Tinha a audição comprometida, mas superou a dificuldade e continuou a abençoar as pessoas com palavras sábias e inspiradoras.
Há um ano, sua irmã e doadora faleceu. Segundo laudo médico, a perda teve um impacto muito forte no seu emocional. Suas limitações físicas avolumaram-se de forma que não conseguia fazer mais nada sozinha. Para os familiares, amigos e irmãos, foi um privilégio conviver com Consuêlo de Castro Sylvestre. Apesar do sentimento de luto, a família descansa na certeza do reencontro futuro.







