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LISTA DE FALECIMENTOS - 05/03/2015

Dalto Sell: uma vida dedicada ao rádio

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Ele nunca quis ser locutor, mas aprendeu o suficiente para ensinar e repassar conhecimento e experiências a muitos profissionais do rádio no Paraná e em Santa Catarina. O negócio de Dalto Sell era mesmo ficar nos bastidores das emissoras pelas quais passou. A função sempre foi o que menos importou. Uma mistura de vontade e curiosidade foi o que alimentou essa paixão iniciada bem cedo, talvez antes mesmo dos 11 anos de idade quando já enrolava aquelas antigas fitas em uma pequena rádio em Curitibanos (SC), cidade onde nasceu.

Foi ainda na era analógica do rádio que se aprimorou na produção artística. Essa passagem ocorreu em solo catarinense, nos municípios de Lages, Balneário Camboriú e Rio do Sul. Nessa última cidade conheceu a esposa, Claudia, em lugar e situação para lá de sugestivos: na porta da igreja, no dia do casamento de um de seus primos. Tempo depois, perto dali,no pequeno município de Trombudo Central, nasceu Pâmela, a primeira filha do casal.

A vida continuava pacata para a família Sell até surgir um importante convite para Dalto. Em 1995, foi chamado por Antonio Carlos Costa, o “Cacalo”, para fazer parte da equipe da Rádio Transamérica, em Foz do Iguaçu. Mais do que uma mudança, representou o reconhecimento a um profissional dedicado. O convite foi aceito na hora. “Era um sonho dele trabalhar na Transamérica”, lembra-se Claudia.

A vida na fronteira começou difícil. A saudade dos familiares apertava forte, mas aos poucos o vazio foi preenchido com a presença dos amigos e mais tarde, em 1998, com o nascimento do caçula Yury. Aliás, talvez tenha sido dele o último grande presente recebido por Dalto: a aprovação para o curso de Engenharia Mecânica na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) neste ano. Ter um filho futuro engenheiro representava um grande orgulho para o pai sempre presente e exigente. “Para ele, sete não era nota. E ele sempre brincava para estudarmos bastante para não acabar virando radialista como ele”, recordam-se os filhos.

Durante a vida, o destino até tentou dar a Dalto uma nova profissão: professor, projetista... Esforço desnecessário. Estava mesmo no rádio a sua razão de viver, seja nos momentos de trabalho ou lazer. A Rádio Transamérica virou Costa Oeste FM e depois 97 FM. Na União Dinâmica de Faculdades Cataratas, atual Centro Universitário UDC, chegou a dar aulas e ajudou muitos estudantes no primeiro contato com esse universo que já era sua paixão.

A preferência musical era pelo som pesado do rock. Dalto era fã da banda The Doors, mas era um homem sem grandes preconceitos. Em sua trajetória, colecionou bons momentos com músicos famosos e anônimos. No caso de Bruno Gouveia, vocalista da banda Biquini Cavadão, além das fotos, também foi guia e motorista. “Ofereceram um carro de luxo para o Bruno Gouveia, mas ele disse que não precisava e que queria ir com o Dalto, mesmo com o carro todo derrubado que tínhamos na época”, conta a esposa.

“Caxias” e perfeccionista, não se desgrudava um segundo do trabalho. Foram várias as vezes que ouviu de casa algum problema na frequência e saiu na chuva ou no meio da madrugada para tentar fazer os reparos. Nas horas vagas, era um sujeito simples, além de escutar rádio – é claro! –, gostava de reunir os amigos e assar apetitosos dourados na churrasqueira improvisada com tijolos.

Era simpatizante do espiritismo e tinha o sonho de conhecer Machu Picchu, no Peru. O último grande desafio de Dalto foi um câncer no pâncreas, diagnosticado há oito meses. A “despedida” foi com a família num domingo simples e perfeito. Deixa a esposa, dois filhos e uma irmã.

Lista de falecimentos - 05/03/2015

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