
Daniel Alves de Carvalho dedicou sua curta vida à sociedade e à família. Desde cedo, entregou-se à carreira militar. Tornou-se cadete da Polícia Militar do Paraná, em 1974, inspirado e seguindo os passos de seu pai. Com os coturnos pretos, percorreu postos chaves da instituição com esmero. Teve carreira relâmpago. Comandou o Batalhão da Polícia Rodoviária, o 13.° Batalhão de Curitiba, a Academia Policial Militar do Guatupê, o Colégio da Polícia Militar e a Escola de Formação de Oficiais.
Em 2005, foi para reserva, após três décadas de luta contra o crime, mas continuou prestando serviços à comunidade como coordenador da Secretaria da Segurança Pública do Paraná. Ajudou o Estado a entender melhor como funcionavam e como deveriam ser combatidos os bolsões de criminalidade. Sua última contribuição profissional foi dada à Associação da Vila Militar, onde dava apoio jurídico para os colegas.
Mas os coturnos do coronel Daniel, como era conhecido na corporação, também o jogaram dentro das salas de aulas. Acumulando bacharelados em Direito e Educação Física, fez alunos nas mais diferentes áreas do conhecimento. Ensinou de Direito Processual Penal Militar até defesa pessoal e natação. Era reconhecido como um professor carismático e dedicado.
Os mesmos coturnos que vestia para proteger a sociedade também traziam alegria para a família. Era com eles que se fantasiava de papai noel no Natal. Com barbas brancas falsas e um travesseiro na barriga, ele era o ponto alto das reuniões familiares. Seu “ho ho ho” era inconfundível. Mesmo assim ninguém arriscava, nem os netos mais crescidos, a desmascará-lo. Presentes eram secundários quando Daniel era o protagonista.
Cuidava de todos. O conceito de família para ele era amplo. Era sempre o primeiro a oferecer ajuda em qualquer problema familiar. Conseguia ser presente mesmo com filhos e netos morando longe. Não titubeava em pegar sua moto, uma de suas paixões, e encarar a estrada quando sentia que alguém precisava dele. Antes de pedir, oferecia. Não se preocupava com bens. Se preocupava em fazer o bem. Acreditava em Deus.
Os coturnos que sempre acompanharam vão permanecer guardados como um registro de sua passagem. Em 20 de abril, ele partiu descalço, quando entrou no mar para deixar viúva, cinco filhos, nove netos e um legado incalculável à comunidade, a qual sempre se dedicou. Sua morte foi registrada como afogamento, ao meio-dia, em Matinhos, no Litoral do Paraná. Tinha 59 anos.
Dia 20 de abril, aos 59 anos, vítima de afogamento, em Matinhos.
Lista de falecimentos - 03/05/2015
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