
Com um sorriso largo estampado no rosto, todos os dias ela abria os portões do Centro de Educação Infantil Vó Rosa para recepcionar as crianças. Como diretora da instituição localizada no município de Arapoti (PR), Denilse Teresina se preocupava com a estrutura física, alimentação e qualidade da educação oferecida para as crianças. Com os pais, as conversas se estendiam e ela não se importava com o fim do expediente. Dedicada ao ofício de ensinar, o CMEI Vó Rosa era a sua segunda casa.
Denilse Teresina de Paula Casado nasceu na região rural de Itaguará do Sul (MG). Filha de pais agricultores, desde menina ela tinha o sonho de se tornar professora. Aos 16 anos, quando a família se mudou para a cidade de Arapoti (PR), ela decidiu seguir o seu desejo e se inscreveu no curso de magistério. Para concluir os estudos, enfrentou uma jornada pesada. Durante o dia, trabalhava como doméstica em uma casa de família. À noite, dedicava-se aos livros.
Na fase da adolescência, ela também conheceu o seu esposo João Carlos Casado. O primeiro encontro do casal aconteceu em um lugar inesperado: entre os corredores do cemitério do município. João Carlos relembra que isso ocorreu em um dia de finados, data do seu aniversário. Como de costume, o lugar estava cheio de pessoas fazendo homenagem aos falecidos. No meio delas, estava Denilse acompanhada da sua irmã. Aos 18 anos, ela casou-se com João Carlos, com quem teve dois filhos. Por 26 anos, eles compartilharam a vida com muito bom humor e harmonia.
O desejo por cursar pedagogia veio da necessidade de se especializar na área da educação. Nesta fase, ela continuou a trabalhar como professora e aos sábados ia para outra cidade para participar das aulas. “Minha mãe sempre foi uma pessoa muito dedicada e sofreu muito para chegar onde chegou”, diz a filha Gisele Casado.
Em 2007, ela foi nomeada como diretora do CMEI Vó Rosa. Quando faltava recursos públicos para a instituição, ela fazia festas e rifas e chegava a tirar dinheiro do próprio bolso para não deixar faltar um docinho para as crianças em datas comemorativas. “Eu até dizia: ‘mãe, tudo é a creche, tudo é a creche! ’, mas esse era o grande amor da vida dela”, conta a filha.
Apesar das dificuldades, a pedagoga sempre enfrentou a vida com alegria. No trabalho, conversava e tentava ajudar as suas funcionárias com palavras de incentivo. “Ela era uma pessoa muito humilde de coração, que não guardava mágoas de ninguém. Como diretora, ela mantinha um bom relacionamento com todas as professoras”, relembra Simone Costa, amiga e companheira de trabalho.
Nos dias de folga, Denilse gostava de se refugiar no mato. Com uma vara de pescar na mão, ela arejava as ideias. Ela também gostava de viajar para a casa dos irmãos e uma das suas especialidades na cozinha era a quirera com carne de porco, comida que transmitia aos filhos e esposo a sua simplicidade e amor.
Quase todos os dias, Denilse comparecia à igreja. Em casa, ouvia canções religiosas e fazia as suas orações. “Eu nunca conhecia alguém com tanta fé”, diz a filha. Para os familiares, ela também foi um exemplo de mulher competente e amorosa. Aos filhos, ela deixou a mensagem de que a vida é mais simples quando trabalhamos com algo que amamos. Esse amor ficou estampado nos corredores e sorrisos das crianças do CMEI Vó Rosa.
Dia 14 de novembro, aos 44 anos, em decorrência de um tromboembolismo pulmonar.
Deixa esposo, filhos, neto e os pais.







