A composição dos dias do advogado Deolindo Esturilio certamente não se revolvia somente nas coisas estruturadas pelas letras. Mas ele fazia com que elas fossem o cerne; o núcleo. Lia. E lia muito. Não importava se livros, revistas, jornais ou sites de notícias. O que importava era que os olhos pudessem correr pelas frases de maneira ininterrupta. Algo que o fez ir além. Se fez das palavras alheias a base de seu mundo, por que não produzi-las para que elas também pudessem ser contempladas? E assim aconteceu.
A partir de um blog, Deolindo conseguiu estreitar ainda mais sua relação com as palavras e a literatura. Até recentemente, publicava, uma vez por semana, um capítulo do conto que estava a escrever sobre “a odisseia de filhos de imigrantes espanhóis que se mudaram para a capital do estado na tentativa de criar dois primogênitos ainda pequenos em um ambiente mais acolhedor”. O escrito seria publicado em oito partes. A última atualização do blog é do dia 18 de setembro. Nele, descreve a segunda parte da saga, que conta um pouco a história de Carmencita – filha do casal. Extremamente descritiva, a escrita de Deolindo é sincera e relativa às suas origens. À parte dos contos, ele estava produzindo um livro sobre a história da família Esturilio, a partir de documentos que seus filhos conseguiram coletar na cidade de Granada, na Espanha.
O laço de Deolindo Esturilio com a Espanha fora extremamente forte. No dia 22 de agosto de 1893, Antonio Esturilio e Magdalena Gonzales – seus avós – ingressaram no barco a vapor português “Ibo”, no porto de Málaga. A embarcação tinha como destino a cidade de Santos e de lá seguiriam para um sítio em Rolândia, na região norte do Paraná. Terceiro irmão mais novo dos doze que tinha, nasceu na mesma fazenda em que os avós, o pai Cristovam Esturilio e a mãe, Conceição Gonçalves, se fixaram.
Aos 17 anos, deixou o sítio da família junto com os irmãos Olímpio e Antônio para estudar em Curitiba. Durante a graduação – cursava Direito na PUCPR nos anos 1970 – trabalhou numa farmácia junto com os outros dois irmãos. Logo se estabeleceram e conseguiram abrir, cada um, um estabelecimento. Além disso, advogava e dava aulas na Faculdade de Educação Superior do Paraná (Fesp).
A escrita e a leitura não eram seus únicos prazeres. Deolindo também gostava muito de viajar. Apreciava, principalmente, o Litoral do Paraná – estava planejando deixar a capital para morar em Guaratuba; deixar a urgência da cidade e usufruir da tranquilidade das praias.
Conhecido por ser um cavalheiro e tratar bem as pessoas, o advogado era muito prestativo. Estava sempre pronto para ajudar quem fosse. Demonstrava muito afeto pelo filho e pelas filhas. Apesar de não brincar muito com o neto e as netas – a idade o impossibilitava – era um avô extremamente carinhoso e vigilante.
Deixa as filhas Rosângela, Rosane e Regiane; o filho Glauco; as netas Evelyn, Lidia Nicole e Gabriela; e o neto Rodrigo.







