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lista de falecimentos - 03/06/2015

Dores Walburga Saboto: lições de como colocar a ajuda ao próximo em primeiro lugar

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Dores Walburga Saboto, ou apenas “dona Dóris”, foi uma daquelas pessoas que podemos afirmar, sem dúvida alguma, que fizeram valer a sua passagem aqui na Terra. Gaúcha de Cerro Largo, chegou ainda adolescente ao Paraná. Morou em Toledo e Marechal Cândido Rondon, no Oeste do estado. Depois, já na década de 1970, mudou-se com o marido, Oswaldo, para Foz do Iguaçu, na mesma região.

O alemão fluente, que aprendeu no convívio familiar, foi fundamental para exercer uma das primeiras ocupações que teve na fronteira: procuradora dos Roth, uma tradicional família de origem germânica e que era proprietária de alguns imóveis na cidade. “Ela entendia bem o que eles falavam e ajudava nas intermediações dos negócios”, lembra-se o marido. Mas essa foi apenas uma das inúmeras atividades de Dores, que não costumava se acomodar.

No extinto Jornal Nosso Tempo, de Foz, começou como zeladora e logo estava comercializando espaços publicitários. Por influência da equipe entrou para a política e por pouco não se elegeu vereadora, em 1988, pelo PDT. “A legenda não atingiu o número de votos suficientes”, conta Oswaldo.

A vontade de ajudar o próximo era característica marcante de Dores. Certa vez improvisou no próprio quintal de casa uma creche. Cuidava das crianças da vizinhança enquanto as mães saíam para trabalhar. Cobrava um valor simbólico, apenas para poder comprar materiais para as próprias crianças. Chegou a cuidar até de dez crianças. “Ela tinha muita paciência e todos confiavam muito nela”. Numa dessas provas de amor, ela cuidou de Uly Jean, ainda bebê, enquanto o casal responsável pela adoção não chegava à cidade. “Ela já havia dito que se passasse de um ano lá em casa, iria adotá-lo”. E esse foi o desfecho da história. Os futuros pais da criança sofreram um acidente e Dores e Oswaldo fizeram o pedido da guarda, que foi conseguida oficialmente cinco anos mais tarde.

Dores também foi comerciante. Abriu uma lanchonete no antigo terminal de ônibus da Ponte da Amizade. Ela tocava o negócio com a ajuda da filha, Vânia, que a acompanhava diariamente ainda de madrugada. Também chegou a vender pães, doces e cucas em casa.

Na década de 1980, com a ajuda dos Alcoólicos Anônimos, ela o marido venceram a dependência do álcool. Mais do que isso, o casal ajudou outros a superarem o mesmo problema. A edícula dos fundos da casa virou moradia de muitos deles. Dores foi uma das coordenadoras do grupo e com o próprio dinheiro ajudou a custear a internação de alguns integrantes.

Outro dom dela era ensinar. Foi catequista e nos últimos cinco anos ajudou a alfabetizar idosos no Colégio Municipal Júlio Pasa. Com muita perseverança, havia concluído os estudos em 2010. Também fez curso técnico em guia de turismo e deu aulas de alemão para duas moças de Foz, gratuitamente. Uma delas, inclusive, hoje vive no país germânico.

Entre 2004 e 2006, trabalhou na antiga Casa Ofício, onde eram oferecidos cursos no contraturno escolar. Ela cozinhava e limpava. Dores ainda morou com a família no antigo Servim, uma entidade criada para a recuperação de jovens dependentes químicos. A última ocupação foi como agente comunitária de saúde.

Na vizinhança era conhecida por ser um “anjo da guarda”. Orientava a tirar documentos ou até mesmo a dar entrada na sonhada aposentadoria. Nos bazares, costumava comprar muitas peças de roupa, mas a grande maioria costumava doar para outras famílias.

A reforma da casa – aquela mesma que serviu como creche – era um dos grandes sonhos de Dores. Chegou a escrever uma carta de próprio punho para a produção do programa “Caldeirão do Hulk”. O quadro “Lar Doce Lar” era uma esperança para a mudança. Não conseguiu realizar o sonho.

Nas horas vagas e até em seus últimos momentos, o carteado com as amigas era um de seus programas preferidos. A gaúcha tinha a saúde debilitada em decorrência de problemas de diabetes e hipertensão há dez anos. E foi um dia após uma das sessões de carteado que passou mal e teve parada respiratória. Deixa o marido, três filhos, cinco netos, uma bisneta e cinco irmãos.

Dia 8 de maio, aos 67 anos, de parada respiratória, em Foz do Iguaçu.

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