
Douglas MacArthur de Oliveira Boechat tinha uma pasta cheia de aranhas de plástico. Era comum, em ocasiões inesperadas, vê-lo jogá-las no interlocutor mais próximo. Tinha especial apreço em assustar os familiares. Também por isso tinha um extenso numerário de máscaras. Uma das fantasias era do Fantasma da Cabeça Branca, que aterrorizou gerações e perturbou o sono de filhos, netos e empregadas.
Boechat fazia coleção de miniaturas de carros. Tinha mais de 300, todos na escala 1:24. Também apreciava quadros, que eram abundantes por todos os cantos da casa. Era, de fato, uma figura muito ligada ao mundo artístico. Gostava principalmente de Renoir. Autodidata, pintava principalmente paisagens marítimas e natureza-morta. Frequentava muitas vernissages. Da casa, pintou as paredes. No teto do quarto da filha fez estrelas entre nuvens. No quarto de um dos filhos, céu azul com aviõezinhos. Foi o criador dos brasões de Pinhais e Cambará, sua cidade-natal.
Dos filmes, os preferidos eram A Casa dos Espíritos, À Espera de Um Milagre e E o Vento Levou, que era revisto com regularidade. Nos últimos tempos, preferia assistir aos filmes de terror e suspense. Ouvia principalmente Enia, Vangelis e canto gregoriano – estava convertendo toda a sua coleção de música clássica em CD e DVD.
Fazia sucesso nos almoços familiares com um molho de carne especial. Seguiu com a receita mesmo depois de perder os movimentos da parte esquerda do corpo, após o primeiro AVC, em 2005. Fazia uma feijoada muito requisitada. Também gostava de frutos do mar, pimenta, frango assado, quiabo e jiló.
Era coxa-branca moderado e tinha apreço pelo kardecismo. Cursou História na Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho (atual UENP). Foi professor e executivo na área de engenharia. Estava com muita vontade de visitar Jussara, Noroeste paranaense, cidade em que começou a lecionar.
Casado com Maria Lúcia, era do tipo romântico. Quando ainda eram namorados, Boechat fez uma serenata para pedir a mão dela. No casamento, tocou, além da Marcha Nupcial, Jesus, Alegria dos Homens, de Bach. Presenteava frequentemente a esposa com flores e também perfumes, uma das vaidades e fixações dele. No dia do aniversário do filho, internado após o segundo AVC, em maio, presenteou-o com um perfume importado. Havia encomendado um mês antes. Fazia arranjos florais para casamentos e presépios para os natais de Cambará.
Boechat fazia o imposto de renda para seus amigos apenas para reencontrá-los. Gostava muito de ir aos shoppings e fazer as compras da semana nos supermercados. Às vezes comprava mais do que precisava. Alguns mantimentos duravam eternidades.
Frequentava um pequeno circuito de bares em Curitiba e gostava dos mais antigos e tranquilos. Tomava cerveja e uísque.
Nas últimas semanas, recebeu diversas cartas de apoio de jovens do educandário onde deu aulas por um bom tempo. O estado de saúde piorou e Boechat não resistiu. Partiu em 10 de julho. Deixa esposa, três filhos e dois netos.







