
No dia 12 de outubro de 1952 o jovem Jairo Eduardo Lemos, na época com 16 anos, desembarcava de uma viajem de jipe no distrito de Cascavel, que dois meses depois seria emancipado e se tornaria município. O impacto foi grande ao presenciar a cidade que só tinha uma rua. Teve vontade de dar meia volta e retornar para Guarapuava, sua cidade de origem, mas logo pegou gosto pela cidade e fixou residência no Oeste paranaense.
Ele presenciou a eleição de José Neves Formigheri, o primeiro prefeito do município, eleito com apenas um voto de diferença. Viu a cidade nascer e fez parte desse crescimento. O adolescente começou a trabalhar cedo na nova cidade e era o responsável pelo sustento da família.
Eram tempos difíceis, Cascavel estava sendo desbravada, mas ele sempre gostou de desafios profissionais e encarou tranquilamente o trabalho durante o ciclo da madeira, economia que movia a região na época. Foi em Cascavel que ele se casou, teve quatro filhos e construiu uma família.
Uma das aventuras mais marcantes foi quando ele e o irmão mais velho, Acir, foram recrutados como pistoleiros sem saber que esta seria a função deles na disputa de terra nas imediações do Rio Piquiri, na região de Cafelândia. O velho Oeste do Paraná vivia tempos de jagunços e as disputas por um pedaço de terra geravam muitas mortes na região. Quando chegaram ao local onde iriam trabalhar, receberam armas para executar o trabalho, e basicamente seria remunerados pelos gastos que o patrão teria com eles, algo semelhante a trabalho escravo.
Em uma noite escura e chuvosa Jairo e Acir aproveitaram para fugir do acampamento a pé. Seguiram noite adentro até encontrar, já no amanhecer, um agricultor tirando a pele de uma onça que acabara de matar. O agricultor os orientou a encontrar o caminho de volta para Cascavel, feito todo ele a pé por meio da mata. De acordo com o filho Jairo Eduardo, esse episódio ocorreu ainda na década de 1950.
Nos momentos de folga seu hobby era jogar bocha com os amigos. Era o esporte preferido do seu Jairo. Também gostava de sentar em locais públicos para “ver o movimento”, como dizia. Seu time de coração era o Palmeiras, mas quando o “Verdão” estava jogando, ou a Seleção Brasileira entrava em campo, se afastava da TV, pois ficava muito apreensivo.
Ajudou muita gente com doações de sangue, tinha sangue “O”, fator RG positivo e sempre fez questão de ser doador. Para ele era tudo ou nada e ilustrava isso com uma frase própria e nada convencional. “Calça de veludo ou bunda de fora”, costuma dizer. Um dos prazeres nos últimos anos era distribuir o newsletter Pitoco, informativo bissemanal do filho. Percorria os terminais de ônibus para distribuir as sobras do jornal, mas, sistemático, antes de entregar o newsletter perguntava se a pessoa gostava de ler. Se a resposta fosse negativa ele guardava o jornal e entregava para outra pessoa.
Faleceu no dia 22 de outubro, aos 79 anos, em sua residência em Cascavel, após sofrer uma parada cardiorrespiratória.
Deixa a esposa Irene e os filhos Auri, Jane, Jairo Eduardo, Carmen Lúcia, além de sete netos. Foi sepultado no cemitério central de Cascavel.







